Aprígio expõe plano de governo durante sabatina
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Por Nely Rossany, da Gazeta SP e Liah Marques, do Portal O Taboanense
A Sabatina 2012, promovida pelo Jornal Gazeta SP e Portal O Taboanense chega a sua última edição com a entrevista com o candidato a prefeito de Taboão da Serra José Aprígio (PSB). Apesar de ser apoiado pelo atual prefeito Evilásio Farias (PSB), Aprígio faz críticas à saúde e propõe mudanças. Confira a entrevista completa e o vídeo clicando aqui.
Gazeta SP: Vamos iniciar as perguntas querendo um relato breve da sua trajetória política. Quem é Aprígio?
Aprígio– Aprígio é uma pessoa que veio de Alagoas em 1972, chegando na rodoviária eu estranhei, sem conhecer nada em São Paulo, acabei vendo uma Kombi que tava escrito que precisava de pedreiro, carpinteiro e de armador, para trabalhar na construção civil e eu me dirigi até aquela Kombi e peguei informação com aquelas pessoas e ali eles me contrataram e eu vim parar em Taboão da Serra, para trabalhar em uma antiga fabrica de tinta no Jd. Salete, e daí estou até hoje em Taboão da Serra, há 42 anos. Comecei a trabalhar em construção civil, como meio oficial de armador, que é uma profissão que pouca gente conhece – é um trabalho que a gente amarra ferro na construção civil, nas vigas, essas coisas – e dalí eu fiquei trabalhando em Taboão da Serra por quatro meses e depois eu fui trabalhar no metrô, lá na Paraíso e voltava todo dia para Taboão da Serra e depois eu abri uma empresa de construção civil, porque em Alagoas era muito ruim, era muita seca, e ali tinha muita gente desempregado e eu acabei arrumando emprego e mandei buscar gente em Alagoas para gerar emprego para eles aqui. Com isso eu já tenho há mais de 32 anos , empresa em Taboão da Serra.
GSP- E a vida política, começou quando?
Aprígio- A minha vida política veio por acaso porque eu não tinha interesse nenhum político. Há 15, 16 anos atrás, se você me perguntasse “quer ser político?” eu ia falar que não, não estou louco para querer isso. Depois, por um acaso, um amigo meu me convidou para o partido dele, o PDC, ai fiquei no partido dele, foi quando ele me convenceu a me candidatar a vereador, eu ainda desanimado não queria ser candidato, mas eu tentei, mas eu disputei três eleições sem interesse nenhum em ganhar a eleição. Eu entrei na política para ajudar um amigo ou outro, na primeira eleição, em 2000, eu tive 220 votos, na outra tive 229 e a terceira tive 728. Daí eu pensei que não ia entrar mais na política, já me candidatei três vezes, não vou brincar mais, mas na quarta eleição eu fui eleito com 2240 votos. Eu sou uma pessoa que se eu disser que não vou fazer, eu não faço e não tem jeito, mas quando eu pego uma responsabilidade, eu faço mesmo. Quando eu disse que ia trabalhar na política, que eu ia ganhar, eu acabei me elegendo.
Foto: Thiago Neme | Gazeta SP

Aprígio, candidato do PSB, durante sabatina da Gazeta SP e Portal O Taboanense
GSP- Um assunto muito abordado é o Parque das Hortênsias, a gente fez várias reportagens referente as despesas que a prefeitura tem com o Parque, para manter a estrutura, toda a despesa mensal. O que o senhor acha sobre o Parque das Hortênsias? Qual seria o modelo ou o projeto para que o Parque fique melhor e que se mantenha?
Aprígio- Eu diria que o Parque das Hortênsias – por mais que pareça despesa – eu acho que é um investimento para a cidade, no que a gente puder investir ali. Então eu penso em melhorar o Parque, ampliar o espaço para alguns animais, para eles ficarem mais tranquilos. Pretendo construir um restaurante no Parque das Hortênsias, e penso até em construir um restaurante popular, o restaurante popular – se a gente construir bem, ali – temos que ter atrações no Parque e fazer em espaços que ali tem como fazer, uma área para lazer, o melhor é naquela área. A gente tem que investir bem, fazer um restaurante popular, um teatro municipal. Tem que centralizar ali, se tivermos uma boa área de lazer vamos ter uma grande quantidade de pessoas nos finais de semana, e se construir um restaurante popular, melhor ainda. Porque vai ter comida boa, barata e vai atrair mais as pessoas nos finais de semana para ir para lá. Quero fazer um ponto turístico em Taboão da Serra, ali no Parque das Hortênsias, melhorando tudo que tem lá hoje.
Saúde
Portal O Taboanense – A gente tem escutado bastante a população e acho que o maior problema da cidade é a questão da saúde. Quero saber do senhor se – caso for eleito – qual sua proposta para saúde?
Aprígio- A saúde em Taboão da Serra por mais que a gente gostaria que melhorasse – e queremos melhorar –se a gente não pedir para os nossos vizinhos fazerem investimentos para que o pessoal deles não venham para nossa cidade e use nosso serviço, vai ser um pouquinho precário, porque você percebe que 40% dos nossos atendimentos vem de Campo Limpo, do Jd. Ferreira, do Educandário, e eles usam muito os serviços de Taboão da Serra, o que acaba sobrecarregando a nossa cidade. Eu penso em fazer parceria com esses municípios, pedi para eles ajudarem a construir algumas unidades de saúde em nossas divisas para que eles atendam uma boa parte do público dessas cidades, mas eu quero também construir – aqui ao lado do Pazini – o Hospital Infantil. Trazendo uma unidade dessas para o Pazini já vai ajudar a distribuir melhor para a saúde das nossas crianças, ou seja, vai melhorar muito o pronto socorro infantil lá do Prajuçara. Mas quero construir – ainda na área da saúde – o hospital do idoso, porque construindo o hospital do idoso eu vou ter sempre o idoso sendo atendido, vão ter atendimento diferenciado, mas só para o pessoal da faixa etária dele e terá médicos da mesma especialidade, para cuidar dos idosos e com isso eles não vão mais nas nossas unidades, fazendo com que sobre vagas de saúde, o que vai melhorar.
GSP -No governo do Evilásio ele chegou a anunciar que ia ter um sistema revolucionário, mas o que podemos ver nas unidades é que o sistema não funciona e que as pessoas continuam demorando seis meses para marcar as consultas. O senhor tem alguma proposta para acelerar isso?
Aprígio- Eu tenho. Você percebe que temos o ex-prefeito que foi médico e nós temos o atual prefeito que foi médico e nenhum dos dois acertaram na saúde. Então eu começo a entender que o que precisa na saúde, para melhorar, atender rápido e bem, é uma boa administração, uma gestão pública de qualidade para melhorar a saúde e melhorar os atendimentos.
POT- Ainda na questão de saúde, talvez uma das maiores polêmicas da cidade é o contrato da Iacta. Se o senhor for eleito, pretende continuar com o contrato da Iacta?
Aprígio: Eu vou analisar o contrato da Iacta e se eu ver que ele não é vantajoso para a prefeitura, ai eu posso pensar em gestão própria.
POT- Um dos problemas que a gente encontra em Taboão, e em toda São Paulo, são os problemas das creches, que muitas vezes as mães não conseguem vagas nas creches e acabam tendo que deixar as crianças em casas de parentes de vizinhos. Qual a proposta do senhor para isso?
Aprígio- Creches, você sabe que é uma coisa que o nosso adversário fechou, no governo dele, e o governo Evilásio investiu pouco, o número de creches ainda não é suficiente para atender o numero de crianças. Eu quero investir mais na construção de creches e eu quero fazer parceria – no primeiro momento tem que fazer isso . Eu penso em ampliar o horário também nas creches porque muitas mães, por não ter emprego aqui em Taboão da Serra e não tem como chegar no horário para buscar seu filho na creche, aí a criança tem creche, mas a mãe tem que tirar do seu bolso para pagar para alguém buscar seu filho na creche, antes da creche fechar. Se eu ampliar o horário de atendimento eu vou dar condições para essas mães que trabalham longe terem tempo de ir buscar seus filhos depois do trabalho. Eu quero ver juridicamente se isso é possível, para a gente construir creche no período integral e poder atender as mais de 3 mil crianças que estão precisando de creche.
POT- A sua proposta em construir ‘mini céus’ na cidade gerou polêmica como vão funcionar?
Aprígio- Eu vou mapear a cidade em quatro partes e vou construir quatro mini-céus. Quero integrar os mini-céus com as escolas, pegar a escola que estiver mais centralizada nessa área que eu vou dividir e vou comprar terrenos próximo às escolas, vou ampliar essas escolas e farei os mini-céus. Vamos descentralizar para não ter tanto transito local e nem muita gente no mesmo lugar ao mesmo tempo. Assim eu vou trazer muito mais lazer para a nossa cidade quando eu fizer esses quatro mini-céus, usando a estrutura das escolas, nos finais de semana, para atender o público.
Foto: Thiago Neme | Gazeta SP

Aprígio defendeu a instalação de mini-ceus em quatro escolas não especificadas
GSP- O senhor tem várias propostas que envolvem a Régis Bittencourt, com acessos, e tem até um túnel. Queria saber se o senhor pretende lutar pela municipalização da BR e se essas obras dependem dessa municipalização? Esses acessos podem ser feitos pelo município?
Aprígio- Sim, o primeiro passo é municipalizar, porque vocês saber que a Régis é uma rodovia Federal. Se fizermos a municipalização aí passa a ser propriedade da prefeitura e sendo propriedade da prefeitura nós podemos fazer qualquer tipo de intervenção na BR e ninguém poderá falar nada, pois será propriedade da prefeitura. Aí sim eu vou fazer três intervenções na BR, vou fazer ali na altura da Acácio Ferreira uma passagem de nível, ligando a Benedito Cesário e a intervenção será só na BR mesmo, colocando alguns semáforos ali, interligando com a [avenida] Castelo Branco, e a Castelo Branco interligando com São Paulo. Vai acabar tirando muito trânsito que vinha para cá e muitas vezes o trânsito que vinha só para retornar e voltar aqui para o lado do Jd. América, Intercap e até mesmo a prefeitura. As pessoas que vem de Osasco já saem do Rodoanel e vem para cá. Se eu fizer esse retorno lá já vai melhorar bem. Fazendo outro retorno aqui na [avenida] Laurita [Ortega Mari] vou tirar muito trânsito daqui. Para melhorar mesmo eu tenho que fazer uma passagem subterrânea aqui na José Maciel, e daí a gente faz uma passagem subterrânea, aí você acaba tirando esses cruzamentos, tirando esse farol e a BR vai fluir normal e o trânsito da BR com certeza vai melhorar bem.
GSP- E se a BR não for municipalizada, o senhor tem outros projetos?
Aprígio- Aí a gente precisa fazer uma parceria, alguns projetos, e levar para o DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes] e pedir autorização. Se você fizer um projeto tecnicamente correto, eles vão acabar aprovando o projeto, haja vista que a obra que fiz ali na faixa da cooperativa foi uma aprovação do DNIT. É possível sim fazer algumas intervenções desde que tenha a aprovação deles.
G SP- Mas essa verba não será só municipal, terá uma intervenção do Estado ou Governo Federal?
Aprígio- Eu acredito que não, acredito que fazendo essas duas intervenções, passagem de nível, é basicamente quebrar aquelas muretas e não será uma obra cara, agora por ser um pequeno trecho e eu sendo um conhecedor de obra, eu vou fazer de tudo para conseguir um custo baixo e vai se viabilizar, com certeza, para a prefeitura construir.
POT – A população reclama muito por causa da falta de segurança. Quais são suas propostas caso o senhor seja eleito?
Aprígio- O meu projeto já está sendo instalado na cidade, que foi aprovado, que se chama “Taboão Digital” ou “Cidade Digital”, onde vamos monitorar toda a cidade com câmera. Nós vamos colocar – inicialmente – nas vias principais e depois vamos melhorando a cada dia, até colocarmos câmeras em todas as ruas da cidade, vamos monitorar a cidade com câmera. Vamos instalar por volta de 120 pontos, e esse ponto vai mandar sinal, não é mais a cabo. Nós vamos – em um raio de 500 metros – vai permitir a internet gratuita.
POT – A atual gestão usa carros alugados da Guarda Civil Municipal. O senhor acha que é uma boa solução ou o senhor pretende comprar carros para a GCM?
Aprígio- Não. Eu gosto de comprar e pagar menos. Quando você aluga um carro, vai acabar que em menos de dois anos, o aluguel que você pagou te deixa sem aquele patrimônio. Eu acho que a prefeitura vai estar sempre aí, vai necessitar sempre desses equipamentos, ai eu não vejo vantagem de alugar.
GSP- O senhor acha que deveria aumentar o efetivo da Guarda?
Aprígio- Sim, com certeza. Temos que aumentar esse efetivo, temos que dar melhores condições para eles porque, além do monitoramento por câmeras, temos que ter a guarda circulando pela cidade, a guarda vai patrulhar, não vai ficar parada como está hoje. A guarda vai colaborar na segurança, mas vocês sabem que a segurança não é dever do município, é dever do Estado, como o governo do estado não tem condições para a segurança de todo o município, alguns aderiram a guarda, então temos que aumentar o efetivo da guarda.
GSP – Um problema que atinge o país inteiro – é a destinação do lixo. Taboão da Serra gasta milhões para levar seu lixo para fora da cidade, qual sua proposta?
Aprígio- É se gasta bastante dinheiro no lixo, que foi criada em 1999 a taxa do lixo, que é para pagar esse lixo que é tão cara para levar embora. Até 2014 cada cidade tem que decidir qual destino dará para o lixo. Hoje temos um tipo de usinas, uma tecnologia que faz com que o lixo se transforme em energia e essa energia manda para a rede pública, e a rede pública mede o que produziu e acaba fazendo uma compensação. Enquanto isso não acontece – e mesmo acontecendo, porque vai baratear – eu vou reciclar o lixo e diminuir o valor do lixo. Não vou mais mandar 100% do lixo embora, pelo menos 50% do volume do lixo será reciclado. Com a taxa do lixo ficando mais barata, eu também abaixo o valor do IPTU.
POT- Taboão da Serra é uma cidade que não tem mais terrenos livres para grandes construções e um grande problema é habitação, que o senhor sabe bem, é uma pessoa que trabalha nessa área. Queria saber qual a solução para habitação aqui em Taboão da Serra?
Aprígio- Não sei se vocês acompanham outras cidades, mas eu acompanho Moema, por exemplo. É uma região que tinha muitas construções, na maioria das vezes eram construções boas, de médio porte e com padrão elevado. Agora foram substituídas residências por edifícios, até porque hoje temos um déficit em Taboão da Serra de 16 mil moradias. Se não tem terreno para construir, tem que usar pequenos espaços que restaram, porque as pessoas precisam de moradias. O que eu penso, e acho que todos os governantes deveriam pensar, é na qualidade. Tem que haver ordem, tem que haver um padrão.
POT – Então o senhor defende um novo código de obras na cidade?
Aprígio- Sim, defendo. Não para facilitar a vida do empresário, mas para trazer mais valorização para a nossa cidade. Há 15 anos atrás, antes da cooperativa [Vida Nova], morar em um apartamento em Taboão da Serra era luxo, hoje não. São apartamentos bons, baratos e eu penso que, se eu for prefeito, eu vou exigir mais porque assim nós vamos valorizar a cidade.
Foto: Thiago Neme | Gazeta SP

Aprígio, candidato do PSB, durante sabatina da Gazeta SP e Portal O Taboanense
POT – Ainda na questão da habitação, tem aproximadamente 30% de propriedades sem posse. O senhor pretende regularizar esses terrenos? E como fazer isso em pouco tempo?
Aprígio- A regularização do terreno não depende só da prefeitura. Nós temos alguns loteamentos que, sendo área pública, pertence à prefeitura, então é responsabilidade da prefeitura. Agora se tratando de um loteamento particular fica meio difícil de regularizar. Tem alguns terrenos em Taboão que serão mais complicados de regularizar, primeiro porque o loteamento de 30 anos que não exigia, hoje tem que se adequar a nova legislação, que diz que tem que ter 30 metros de recuo de área verde, de APP.
GSP- Outro tema que tem que ser discutido é a mobilidade. Com as construtoras, com a verticalização da cidade tende a ficar pior. O senhor acha que as construtoras tem que construir, mas tem que pensar em como o fluxo vai seguir naquele local. O senhor acha que, no seu governo, será implantada alguma coisa nesse sentido?
Aprígio- Eu acho que as construtoras que também vem para a cidade tem que entrar com uma contrapartida. Vocês veem aqui, na margem da BR a cooperativa construiu duas vias com recurso próprio, doamos o terreno para a prefeitura e construímos a avenida, colocamos guias, sarjeta, água, esgoto, drenagem , luz e pavimentação, e doamos tudo pronto para a prefeitura. O que vocês veem aqui na BR custa mais de mil reais, doamos ali 24 mil metros. Eu acho que os investidores não pensam em dar uma contrapartida para a cidade.
GSP- Outro tema que eu também queria saber sua opinião. O senhor é contra ou a favor da zona azul no município? Se caso eleito pretende acabar ou ampliar? Como o senhor vê a zona azul na cidade?
Aprígio- Sempre fui contra a criação de coisas que fazem sempre o munícipe pagar mais, eu sempre achei que a zona azul não seria bom para a cidade. Hoje conversando com alguns empresários e com alguns comerciantes, muitos disseram que não acharam ruim porque antes as pessoas deixavam os carros na frente do estabelecimento, muitas vezes o dia inteiro, atrapalhando a entrada da loja deles. O cliente que ia entrar naquela loja muitas vezes não parava ali na frente por causa de outro carro que estava estacionado lá. Se a prefeitura fosse uma empresa não sobreviveria com os 5% de lucro e eu sou contra esse valor para a prefeitura e quero rever o contrato.
GSP- O seu tempo acabou, o senhor pode fazer suas considerações finais
Aprígio – As considerações finais é agradecer vocês pelo convite. Vocês sabem o respeito que eu tenho pela imprensa. Não dá para falar que o Aprígio foi um cara que contribuiu muito com a imprensa, mas sempre que eu pude eu estava sempre junto e quero continuar com essa parceria, eu reconheço a importância da imprensa na cidade e quero contribuir com a imprensa cada vez mais e quero ter vocês do meu lado para estar me orientando, me ajudando e quero que vocês também contem comigo, que me vejam como amigo, um prefeito amigo da imprensa.

