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Audiência Pública termina em confusão em Taboão

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Redação

24/05/2014 00:00
Audiência Pública termina em confusão em Taboão

A Audiência Pública para debater as 19 alterações no Plano Diretor, propostas pela prefeitura de Taboão da Serra, terminou em confusão na manhã deste sábado, dia 24. Cerca de 700 pessoas, a maioria delas ligadas a movimentos populares de moradia, acompanharam o evento que ficou prejudicado por causa de brigas e até a intervenção da GCM que precisou usar gás de pimenta para conter os manifestantes.

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A Audiência começou por volta das 9h30 na quadra da escola municipal Oscar Ramos Arantes, na Vila Iase. A mudança no zoneamento na área conhecida como “Paulo Colombo”, no Jd. Helena, que atualmente é Zeis, destinada para a construção de moradias populares foi a que gerou a maior polêmica. A proposta da prefeitura é transformar a área em Zona de Proteção Ambiental e construir ali um parque.

 | Eduardo ToledoPopulação lotou a escola Oscar Ramos de Oliveira, na Vila Iase, para debatar as alterações

Os ânimos já estavam exaltados antes mesmo do início da audiência. A GCM fechou as ruas próximas da escola e muitas pessoas ligadas ao MST e MTST ocupavam as vias laterais cantando músicas de movimentos sociais e entoando palavras de ordem. Após lidas as alterações, a palavra foi aberta para a população, que podia opinar sobre o projeto pro dois minutos.

A confusão começou assim que o segundo morador, que se identificou como Bruno, ligado ao MST, usou a palavra. Nas arquibancadas houve empura-empurra entre populares e uma briga generalizada tomou conta da quadra. Houve invasão, equipamentos da prefeitura foram quebrados e a GCM usou gás de pimenta para dispersar a multidão.

Quando a situação parecia mais controlada, o ex-vereador Paulo Félix, líder do MST, caiu no meio da quadra, dizendo que havia sido agredido com chutes, além de ter levado gás de pimenta no rosto. Muitos manifestantes deixaram a escola na confusão, Félix foi levado por integrantes do movimento para uma área arejada, onde foi socorrido por populares.

Segundo o secretário de segurança da prefeitura de Taboão da Serra, Gerson Brito, a GCM agiu para impedir que as pessoas ficassem feridas e para que não houvesse depredações. “Ninguém ficou ferido, não foi usada a força, apenas jogaram o gás, que não é de pimenta, mas de gengibre, para conter a multidão que invadiu a quadra”.


Paulo Félix é socorrido por integrantes do MST: confusão e muita polêmica na audiência pública

Sobre as agressões alegadas pelo ex-vereador Paulo Félix, Gerson disse que a GCM não o agrediu e que tentou levá-lo para uma ambulância. “Ele estava dizendo que não conseguia respirar, nós tínhamos enfermeiros aqui, mas ele recusou, disse que não queria ser atendido ou levado para o Pronto Socorro”, garantiu Gerson.

Após a confusão, a audiência continuou, mas pouco foi debatido sobre as alterações no Plano Diretor. As pessoas ligadas ao movimento não aproveitaram a oportunidade para de debater o tema e preferiram agredir, muitas vezes com palavrões, assessores do prefeito Fernando Fernandes e a própria administração.

Félix voltou para a audiência pública, pediu a palavra e disse que o movimento não irá aceitar a mudança de zoneamento proposta pela prefeitura e disse que iria a delegacia registrar um boletim de ocorrência.
Ao Portal O Taboanense, Félix disse que o movimento foi para a audiência pública, mas caiu em uma “arapuca”. “Pessoas a serviço do governo vieram para bater e espancar, eu mesmo fui agredido, meu joelho operado está inchado, tomei um chute. Pela primeira vez na vida eu tomei um tapa, não esperava que isso fosse acontecer. Nós viemos em paz e fomos recebidos com violência”.

De acordo com Paulo Félix o movimento irá pedir a anulação da audiência por falta de segurança. “Colocam faixa, colocam anúncios e o povo é tratado aqui a pontapé, a pancada, isso é inadmissível”. A previsão é que as mudanças no Plano Diretor sejam votadas pela Câmara Municipal no dia 10 de junho.

O vereador Cido lamentou o ocorrido e disse que esperava que audiência pública fosse mais democrática. “Quando o movimento foi a prefeitura o prefeito atendeu a novimento e atendeu a demanda no Jd. Salete, que vai ampliar o número de moradias sociais. Mas temos que saber que Taboão precisa crescer, ter um centro comercial forte, gerar empregos, criar áreas de lazer”, afirmou.

Balanço positivo?

Para Marlene Bonfim, organizadora da Audiência Pública, o resultado, apesar da confusão, foi satisfatório. “Não existem mudanças drásticas [no zoneamento]. Houve um tumulto, mas no geral deu oportunidade para todo mundo falar, as pessoas se colocaram, a gente contornou a confusão e terminou com bom êxito a conferência”.

De acordo com Marlene, ligada a secretaria de habitação, a mudança mais polêmica, que gerou os protestos, que altera a área em frente ao INSS de Zeis para ZPA, será boa para a cidade. “Outras áreas foram contempladas com Zeis, ali [estrada São Francisco] está muito adensado, muitos empreendimentos. A cidade carece de áreas de proteção ambiental”.

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