No Cats, Ricardinho, 38 anos, busca segundo acesso seguido à Série A3
Da Federação Paulista de Futebol
Nascido em São Paulo e revelado pelo Nacional em 1996, o meio-campista Ricardinho foi um dos principais destaques na classificação do Taboão da Serra no avanço à terceira fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Com passagens por diversos clubes do Brasil, Japão e Portugal, o experiente atleta de 38 anos também vestiu as camisas de São Paulo, na virada do milênio, do Palmeiras, em 2006 e do Paulista, na conquista do título da Copa do Brasil, em 2005.
Dono da camisa 10 e um dos mais experientes do elenco, ao lado de Osny, o meia chegou para suprir a saída do aposentado Paulo Cesar nesta segunda fase e marcou os dois gols que garantiram o avanço do clube na disputa pelo acesso. Além do talento dentro de campo, o jogador também carrega em seu currículo o acesso com o Água Santa na última temporada.Após a partida que garantiu a classificação do Taboão da Serra, o diretor de futebol Erivelton Lima exaltou a participação do atleta e destacou a sua qualidade para a divisão. “Ele é um jogador experiente e de muita técnica. Nos ajudou demais nessa vitória com os dois gols e certamente é um atleta que está em um nível superior para esta divisão”, declarou.

Sobre a sua carreira, Ricardinho estreou profissionalmente pelo Nacional, em 1996, depois passou três anos no futebol japonês e regressou ao país para defender o São Paulo, onde sagrou-se campeão paulista de 2000. Na temporada seguinte, o meia voltou ao Japão, onde defendeu o Kawasaki Frontale e em 2001, veio ao Brasil defender o Coritiba e na sequência rodou por Joinville, Nacional (POR) e Portimonense (POR), até chegar ao Paulista em 2005 e participar da campanha campeã.
Com destaque no clube de Jundiaí, o jogador chegou ao Internacional e passou por Palmeiras, Botafogo, Coritiba, Vitória, Guaratinguetá, Avaí, Vila Nova, Sport, Brasil de Pelotas, Bangu, Inter de Limeira, até chegar ao Água Santa e conquistar o primeiro acesso da equipe à Série A3.
FPF: Você marcou os dois gols que garantiram a classificação por antecipação do Taboão da Serra, qual foi a sua sensação ao ter feito esses gols tão importantes para a sequência do time na competição?
Ricardinho: Vínhamos de uma derrota para o Suzano, o futebol tem de tudo, mas não esperávamos por essa derrota, esperávamos estar classificados e jogando pelo empate. Depois jogamos contra o Mauaense, a equipe de Mauá é muito boa, acho que é a melhor que enfrentei até agora e foi um jogo difícil. O primeiro tempo virou 0 a 0, o Veloso (goleiro do Taboão) fez duas defesas, que fizeram a diferença para ganharmos. Mas isso já ficou para trás, temos que pensar já na próxima fase, pois este é um campeonato difícil, é a segunda vez que estou disputando. O campeonato vai até novembro, então as equipes correm o tempo todo por terem jogadores novos, então temos que nos preparar para a próxima fase, onde vejo equipes mais competitivas, com mais posse de bola e que jogam mais.
FPF: Com relação a sua segunda participação na Segunda Divisão, ano passado você conquistou o acesso com o Água Santa e, agora, o que esperar do Taboão da Serra na sequência da competição e como está o momento do clube?
Ricardinho: Quando ganhamos, a semana é ótima, uma vitória traz toda felicidade. Não podemos deixar de treinar, não podemos deixar de almejar alguma coisa, pois é um campeonato difícil, nunca se espera perder dentro de casa, ou então, não desmerecendo a equipe do Suzano, mas que não investiu para subir. O que vejo no Taboão é que temos que aumentar a nossa marcação e jogar mais. As equipes que estão vindo contra a gente estão tendo mais posse e criando mais. Então temos que treinar mais nos quesitos posse de bola e marcação, porque na próxima fase pegaremos times mais qualificados, mais difíceis, ainda tem as viagens. A terceira fase é um campeonato diferente, a cada ano vai mudando. Equipes que querem subir, almejar algo a mais, estar em um cenário de Campeonato Paulista, que é super difícil, então temos que estar sempre atentos, sempre treinando, buscando e conversando para chegarmos até o final.
FPF: Na terceira fase teremos jogos de final e meio de semana. Aos 38 anos, como você planeja se preparar para estas partidas e chegar sempre bem?
Ricardinho: Conversamos com o nosso auxiliar, temos que ver isso, pois não teremos muito tempo para treinar. Teremos que ter mais descanso aos que estão jogando, os que estão tendo menos oportunidades tem que treinar e estar espertos para poder jogar, pois tem cartão, tem lesão, quarta e domingo, quarta e domingo não dá tempo de fazer quase nada, então quem se preparou e fez uma boa parte física, isso fará diferença. Não dá para treinar dois períodos, não dá para fazer loucura. Tem que descansar e jogar. Vejo que agora isso é fundamental, temos que ter bom senso com a parte física, com o preparador, para termos condições, descansar e jogar bem.
FPF: Sobre esta maratona de jogos e com relação a sua idade, qual é o seu segredo para estar sempre atuando em bom nível e ser um dos principais destaques da equipe?
Ricardinho: Vejo assim: hoje em dia o futebol mudou demais. Temos jogos no Brasileiro, com todo respeito, mas temos jogadores ganhando fora da realidade e produzindo pouco demais. Fico me perguntando o que aconteceu com o futebol brasileiro. Você vê meias que fazem a diferença não produzirem praticamente nada, você vê uma partida de um Brasileiro e é normal, por exemplo, eu assisti Inter e São Paulo e foi normal. As pessoas que estão no dia a dia no futebol estão vendo coisas completamente diferentes do futebol, pois um jogador faz um passe normal e logo vira craque diferenciado. Dão moral para o jogador e ele acha que está superbem e na real não. Em um Campeonato Brasileiro, temos jogadores muito normais, antigamente tínhamos jogos corridos, jogados. Agora é triste, nós que gostamos e jogamos até hoje por gostar. Com 38 anos pensamos que não dá para jogar, pois não temos oportunidade, os clubes não apostam em um jogador de 33, 34, 35… Para eles já são veteranos. Você vê o Paulo Baier jogando e jogando bem, tem jogadores do Grêmio com idade e jogando bem, isso é tudo baboseira, não tem nada a ver, porque o que vale é o que se produz em campo. Me sinto bem, o segredo é ter que se cuidar, mas nada diferente. É treinar, não ter lesão e acompanhar o ritmo do futebol. Até falo para os jogadores mais novos, nada é impossível para jogar em um time grande, pois hoje não há nada demais, tudo normal, o que muda é só a camisa.
FPF: Com passagens por times importantes do Estado, como São Paulo, Palmeiras e campeão da Copa do Brasil pelo Paulista, o que você pode falar da sua carreira nesses importantes períodos?
Ricardinho: Passei pelo São Paulo em 1999 e 2000, e em 2000 tive o prazer de fazer parte do elenco campeão paulista. Joguei poucas partidas, mas me considero campeão paulista. Nada melhor do que estar jogando em todos os jogos para ter outro sentimento, e no Paulista é um clube onde tenho um carinho enorme, por ter jogado e ter saído de lá para times grandes e principalmente ter sido campeão da Copa do Brasil. Então você vê como o futebol está. O Paulista estava em uma Série B, primeira divisão do Paulista e hoje está na A2. Se o futebol no Brasil não mudar, não cumprir com as obrigações, se não conscientizarmos, não iremos ganhar nada. Na Copa (do Mundo de 2014), vimos a diferença do Brasil para os times de fora, está outra realidade, muito, mas muito diferente. Antes íamos em uma base e achávamos dez jogadores e hoje em dia achamos um, então se manter, iremos piorar.
