Morre Valtão, Diretor da Paixão de Cristo, um dos maiores nomes do teatro de Taboão da Serra
A cultura de Taboão da Serra perdeu neste sábado, dia 16, um de seus maiores representantes. Morreu por volta das 18h o ator, diretor e artista plástico Valter Costa, conhecido carinhosamente como Valtão. Ele tinha 53 anos e completaria 54 no próximo dia 8 de junho. Natural de Piatã, na Bahia, construiu em Taboão da Serra uma trajetória marcada pela arte, pela paixão pelo teatro e pela dedicação à cultura popular.
Valtão estava internado havia cerca de 10 dias e enfrentava graves problemas de saúde relacionados ao coração e aos rins. Casado com Adriana, deixa os filhos Gabriela e Pedro, além de uma legião de amigos, artistas e admiradores profundamente abalados com sua partida. A família ainda não informou sobre o veório.
Durante décadas, ele foi um dos pilares da tradicional Paixão de Cristo encenada em Taboão da Serra, espetáculo que ajudou a construir e manter vivo ao longo de gerações.
O ator e amigo Eddie Ferraz relembrou a trajetória do companheiro nos palcos. Segundo ele, Valtão iniciou no teatro ainda nos anos 1980, no grupo “Quem Diria”, e passou a integrar a Paixão de Cristo em 1995, participando de praticamente todas as montagens desde então.
“Ele fez parte da história do teatro da nossa cidade. Era um artista completo. Atuava, dirigia, pintava, criava cenários. Tudo que colocavam na mão dele, ele fazia com maestria”, afirmou Eddie.
Ao longo da carreira, Valtão dirigiu e atuou em diversos espetáculos marcantes, como A Morte do Imortal, O Anel de Magalão, Pedro e Domitila e O Homem de La Mancha, sendo premiado como ator e diretor em diferentes festivais.
A atriz e produtora Bia Couto, emocionada, relembrou os últimos meses do amigo e a luta silenciosa contra os problemas de saúde. “Ele foi um guerreiro. Nos últimos ensaios da Paixão, praticamente se arrastava, mas não queria que ninguém percebesse. Mesmo debilitado, fazia questão de acompanhar o espetáculo que ele tanto amava”, contou.
Segundo Bia, Valtão enfrentava complicações decorrentes de um infarto sofrido anos atrás, agravadas pela diabetes e pela insuficiência renal. Ainda assim, permaneceu ligado ao teatro até os últimos dias.
“Todo mundo sabia o quanto ele amava aquilo. A gente já entendia que talvez aquela fosse a última Paixão dele, então fizemos questão que ele pudesse assistir ao trabalho que ajudou a construir”, disse emocionada.
A vereadora, professora e atriz Najara Costa também lamentou profundamente a morte do amigo, a quem definiu como essencial para a cultura da cidade.
“O Valter foi uma pessoa fundamental para o teatro em Taboão da Serra. Um grande lutador, alguém que fez teatro da forma que era possível, com amor, dedicação e resistência”, afirmou.
Najara relembrou ainda a ligação de Valtão com o diretor Amaury Alvarez, outro nome histórico da cultura local. “Ele foi discípulo do Amaury e carregou esse legado durante toda a vida. A cultura da nossa cidade perde um grande batalhador”, disse.
A notícia da morte provocou forte comoção entre artistas, amigos e integrantes da comunidade cultural da região.
Mais do que um ator ou diretor, Valtão deixa uma marca profunda em gerações de artistas que aprenderam com ele dentro e fora dos palcos. Sua trajetória se confunde com a própria história do teatro popular de Taboão da Serra.
“Tudo que eu sei hoje aprendi com ele”, resumiu Najara, emocionada. “Foi uma perda muito pesada.”
O TABOANENSE
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