Eddie Ferraz relembra amizade de décadas com Valtão: “Foi um irmão que o teatro me deu”
A morte do ator, diretor teatral e artista plástico Valter Costa, o Valtão, continua mobilizando artistas e amigos de Taboão da Serra. Neste sábado (16), o ator e diretor Eddie Ferraz relembrou momentos marcantes ao lado do amigo e emocionou ao falar da relação construída ao longo de mais de 30 anos.
“A minha relação com o Walter começa em 1994 ou 1995, quando a gente foi convidar um amigo dele para participar da Paixão de Cristo. No fim, o amigo não foi, mas o Walter foi. E dali nasceu uma amizade que durou até hoje”, contou.
Segundo Eddie, o início da parceria aconteceu justamente quando o grupo assumia a organização da tradicional Paixão de Cristo de Taboão da Serra, após o afastamento de Manoel da Nova. “Foi uma amizade construída no teatro, mas também na vida. A gente viveu muita coisa junto”, afirmou.
Entre as lembranças, Eddie relembrou viagens, festivais de teatro, partidas de futebol e encontros familiares vividos ao lado de Valtão, José Maria e outros integrantes históricos da cultura da cidade.
“Tivemos diversas passagens muito bacanas, viagens entre famílias, festivais de teatro, almoço na casa um do outro. Eu ajudei a encher a laje da casa dele, ajudei a limpar o terreno da casa dele. Era uma amizade de verdade”, disse emocionado.
O ator também relembrou momentos de descontração e bastidores do teatro, incluindo situações engraçadas durante apresentações. “Uma vez, em um festival em Paraguaçu Paulista, ele esqueceu o texto no palco. Aí eu soprei a fala para ele e ele respondeu completamente diferente. Foi hilário”, contou aos risos.
Apesar das diferenças de personalidade e das discussões criativas nos bastidores, Eddie destacou que sempre fez questão de ter Valtão ao seu lado nos projetos culturais. “O Walter era muito polêmico e difícil de convencer às vezes, mas era um cara que eu sempre quis perto de mim em tudo que eu fazia”, afirmou.
Segundo ele, os dois chegaram a trabalhar juntos em projetos para televisão e cinema, além de diversas montagens teatrais. “Tentamos desenvolver uma série juntos, já tinha até projeto encaminhado, mas infelizmente não saiu. Mesmo assim, ele estava sempre presente em tudo”, relembrou.
Eddie também falou da forte ligação afetiva construída fora dos palcos. “Ele sempre lembrava dos almoços na minha casa. Falava com carinho dessas coisas simples que a gente viveu junto”, contou.
Muito abalado, o ator afirmou que a partida de Valtão deixa um vazio enorme na cultura de Taboão da Serra. “Foi um irmão que o teatro me deu. A gente passou uma vida inteira junto, construindo arte, amizade e história dentro dessa cidade”, declarou.
Para Eddie Ferraz, mais do que um grande ator e diretor, Valtão deixa um legado humano difícil de substituir. “A cultura perde um artista gigante, mas eu perco um amigo de verdade”, concluiu.
O TABOANENSE
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