Roubo de cargas cresce em Itapecerica da Serra, Juquitiba, Cotia e Embu das Artes, aponta estudo
Apesar da redução dos roubos de carga em todo o Estado de São Paulo, um novo levantamento revela que o crime está mudando de endereço. Em vez de se concentrar nos grandes centros urbanos, as quadrilhas passaram a atuar com maior intensidade em cidades localizadas ao longo de importantes corredores logísticos, como Itapecerica da Serra, Juquitiba, Cotia e Embu das Artes.
Os dados fazem parte do Boletim Tracker Fecap, que analisou ocorrências registradas entre janeiro de 2024 e o primeiro trimestre de 2026. O estudo aponta que o Estado registrou queda de 30,2% nos roubos de carga no início deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. Ainda assim, a redução geral esconde uma redistribuição geográfica do crime.
Entre os municípios que mais chamaram a atenção dos pesquisadores está Itapecerica da Serra, que apresentou o maior crescimento entre as cidades analisadas. O número de ocorrências saltou de 72 para 106 casos, uma alta de 47,2%.
Juquitiba também registrou aumento expressivo. As ocorrências passaram de 53 para 69, crescimento de 30,2%. Em Cotia, o avanço foi de 24,4%, com os registros subindo de 78 para 97 casos. Já Embu das Artes contabilizou aumento de 11,9%, passando de 84 para 94 ocorrências.
Segundo os especialistas responsáveis pelo levantamento, o crescimento está diretamente ligado à localização estratégica desses municípios. Cortadas por rodovias fundamentais para o transporte de mercadorias, as cidades se tornaram pontos de interesse para organizações criminosas que buscam interceptar cargas em trânsito.
A Rodovia Régis Bittencourt, que atravessa Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Juquitiba, aparece como um dos principais corredores monitorados. Já Cotia ocupa posição estratégica por sua ligação com a Rodovia Raposo Tavares e importantes centros de distribuição da região metropolitana.
O estudo mostra ainda que os criminosos mantêm um padrão cada vez mais alinhado à rotina logística das empresas. Mais de 80% dos roubos acontecem entre terça e sexta-feira, justamente nos períodos de maior circulação de mercadorias pelas estradas paulistas.
Outro dado que preocupa é o aumento da atuação de quadrilhas organizadas. Em mais da metade dos casos registrados, os crimes envolveram a participação de dois ou mais criminosos, evidenciando operações planejadas e estruturadas.
Os pesquisadores também identificaram crescimento nos casos em que motoristas são mantidos sob restrição de liberdade durante as ações criminosas. A estratégia tem sido utilizada para retardar pedidos de socorro e dificultar o acionamento de sistemas de rastreamento e recuperação de veículos.
Para especialistas em segurança logística, o cenário reforça a necessidade de investimentos em inteligência, monitoramento em tempo real e atualização constante dos protocolos de prevenção adotados por transportadoras, seguradoras e forças de segurança.
Embora os números estaduais indiquem uma tendência de queda nos roubos de carga, o avanço das ocorrências em cidades estratégicas da Grande São Paulo demonstra que o crime está se adaptando às ações de combate e buscando novas áreas de atuação. O desafio agora é impedir que corredores logísticos da região se consolidem como novos focos dessa modalidade criminosa.
Destaques da região
• Itapecerica da Serra: 106 casos (+47,2%)
• Juquitiba: 69 casos (+30,2%)
• Cotia: 97 casos (+24,4%)
• Embu das Artes: 94 casos (+11,9%)
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