Sessão polêmica escancara guerra política entre situação e oposição
A sessão da Câmara de Taboão da Serra desta terça-feira, dia 14, foi agita. A Casa recebeu um pedido de abertura de Comissão Especial de Inquérito, que foi indeferido. Também foi apresentada nova denúncia contra o prefeito Fernando Fernandes (PSDB), que foi remetida à Comissão de Redação e Justiça. Diante dos “ataques” da oposição, a base resolveu sair em defesa do governo e o clima esquentou no legislativo. O ex-vereador José Aprígio (PSB) foi declarado como “mentor das denúncias”.
O presidente da Casa, José Aparecido Alves, Cido (DEM), rejeitou o pedido de abertura de CEI contra Fernandes, uma vez que uma Comissão Especial de Inquérito só pode ser “impetrada pelos vereadores”, não por um munícipe.

“São denúncias infundadas que tem trazido prejuízos gigantescos a essa Casa. Estou encaminhando todas as denúncias à Comissão de Redação e Justiça para dar o parecer o mais rápido possível, assim podemos seguir com a pauta para esvaziá-la. Essa casa não será palco de denúncias infundadas. Aqui não tem palhaço, tem vereador, não vamos antecipar o período eleitoral”, disse o vereador Cido.
O vereador Marco Porta (PRB), em apoio à atitude do presidente, disse que é preciso colocar “a cidade para trabalhar”. “Chega de pautar a Câmara com denuncismos vazios que não levam a lugar nenhum”. O Porta também sugeriu que a oposição, representada pelos parlamentares Luzia Aprígio (PSB), Moreira (PT) e Luiz Lune (PCdoB), apresente as denúncias e não que “outras pessoas do partido” as façam. “Começa-se a entender que existe um financiamento, inclusive esta pairando sobre o seu Aprígio, de ele esta financiando pessoas para estar fazendo esses denuncismos”, falou.
Vereador Ronaldo Onishi (SDD), também nomeou Aprígio como o autor das denúncias. “O mentor dessas denúncias é José Aprígio. A Câmara Municipal não vai ser tribunal de ninguém. Nós também sabemos fazer política e o time aqui é grande. O Solidariedade tem lado, e se chama Fernando Fernandes, um governo forte. A Câmara não vai ser refém de político nenhum”, disparou.
A vereadora Érica Franquini (PSDB) apelou para uma “política do bem”. “O que veio para nós é que o senhor Aprígio está por traz dessas denúncias. Peço que ele faça uma política do bem”.
Também em defesa do governo, a vereadora Joice Silva (PTB), disse que a Casa não pode se pautar em denúncias infundadas. “Aqui se faz política sim, mas política séria. Não podemos nos pautar em denúncias infundadas. O nosso prefeito Fernando Fernandes sabe fazer política, não precisa fazer denúncias aqui. Na hora que ele quiser fazer denúncia, ele vai até o Ministério Público”.
Carlinhos do Leme (PP) também manifestou apoio ao prefeito. “Ninguém tem dúvida que os 10 vereadores estão com o Fernando Fernandes” e declarou estar “insatisfeito com todas essas denúncias”. “Queria pedir para gente ajudar essa cidade. Quanto pior não é melhor, quanto pior é pior”, falou o parlamentar.
Para o vereador Marcos Paulo (Pros), as denúncias têm como objetivo “denegrir a imagem do prefeito Fernando Fernandes e dessa Casa. A oposição tem nome e sobrenome: José Aprígio”.
O vereador Eduardo Nóbrega (PR), líder do governo na Casa, destacou que a base respondeu aos ataques da oposição. “O grupo da base governista se manifestou contra os ataques da oposição ao governo. O que queremos discutir aqui, são os R$ 27 milhões que estão sendo investidos em obras”.
Para Nóbrega, a “briga” política é entre o “grupo do Fernando Fernandes e o grupo do Evilásio Cavalcante de Farias”. “Quero discutir aquilo que vocês acham que vai nos assustar, a saúde, quero discutir com o grupo deles, porque nós somos do grupo do Fernando”, disse.
Denúncia
O vereador Eduardo Lopes (PSDB), denunciou o presidente da Cooperativa Vida Nova, Aprígio, por não ter deixado uma área institucional de 36 mil metros quadrados após desmembramento do terreno que fica as margens da rodovia Régis Bittencourt. “Não posso me calar diante dos fatos, tem pessoas que se escondem atrás de uma falsa prestação de serviços para a população de Taboão da Serra, constrói impérios em detrimento do patrimônio público, caso típico do ex-vereador José Aprígio”.
De acordo com Lopes, Aprígio usou o “mandato de vereador, juntamente com o ex-prefeito Dr. Evilásio, para criar, uma situação que dá prejuízo aos cidadãos de Taboão da Serra de 36,5 mil metros quadrados, que equivale aproximadamente R$ 60 milhões de prejuízo”, afirmou.
Lopes ainda relatou que, na época, o terreno foi desapropriado e “Aprígio e o ex-prefeito, pagaram um centavo de real o metro quadrado, o que valia R$ 67 milhões, virou R$ 67. Isso é o político José Aprígio. A base vai abrir uma CEI, porque Taboão da Serra não merece um prejuízo dessa envergadura”, disparou. Lopes fez referência a desapropriação da rua que corta o terreno da Cooperativa e que hoje liga a rodovia Régis Bittencourt ao Jd, Maria Rosa.
Oposição
O vereador Moreira (PT), questionou a decisão do presidente de encaminhar as denuncias à Comissão de Redação e Justiça antes de realizar a leitura em plenário. “O Decreto Lei da Presidência da República diz que toda denúncia encaminhada a essa Casa deve ser lida, para só depois er remetida à Comissão de Justiça e Redação. Peço que leia, para não prevaricarmos”, disse.
Quando fez uso da tribuna, o vereador Luiz Lune (PCdoB), foi vaiado por funcionário de livre nomeação da prefeitura que acompanhavam a sessão. “A tropa de choque veio para defender [o governo]. Aqui não é um tribunal”, disse. Sobre o indeferimento do presidente da Casa ao pedido de abertura de CEI, Lune declarou que “a denúncia existe e está fundamentada” independente de quem tenha apresentado.
Em defesa do marido, a vereadora Luzia Aprígio (PSB), disse ironicamente aos vereadores "agradeço os nobres pares, meus colegas vereadores, continuem citando o nome do seu Aprígio. A lição de casa foi bem feita, vocês estão de parabéns".
