Jornalista
Ouvi de um conhecido uma justificativa mais ou menos assim para não fazer a atividade física que ele havia se proposto fazer naquele dia:
– Tenho tanta coisa para resolver, que eu não tenho cabeça para fazer minha aula de natação.
Só que a aula havia sido marcada para às 5h30 da manhã e durante todo o decorrer do dia ele não teria mais tempo para se exercitar. Mais um dia intenso de trabalho e de muita cadeira. Mal sabia ele que a natação o ajudaria com certeza a pensar melhor.
Nesse mundo em que vivemos, quando o assunto é movimento e atividade física quase tudo vira motivo para o não fazer. Bem diferente de quando o assunto é consumir, sejam coisas, sejam alimentos e bebidas, em sua maioria industrializados e hipercalóricos, sejam conteúdos, ficamos deitados em nossos confortáveis sofás maratonando séries que nem são tão boas assim e temos a falsa sensação que estamos nos presenteando, depois de uma semana de trabalho cansativa e estressante.
O problema todo é que nós não nascemos para ficar sentados horas e horas em sofás ou em uma cadeira, olhando para telas e apertando botões. Não é natural, não é saudável, nem razoável. Nosso corpo todo que inclui a mente, sim ela também faz parte do corpo acreditem, precisa de atividade física. Quando nos exercitamos estamos trabalhando todas as partes do nosso corpo, principalmente o cérebro.
Nos séculos passados, os processos de industrialização fizeram muita gente acreditar que o movimento era ruim, que as pessoas precisavam ter comodidade e que ela viria com os carros, com o controle remoto, o elevador, a escada rolante, quanto menos atividade melhor, quanto mais comodidade melhor.
Nos afastamos da natureza e assim nos distanciamos da nossa natureza humana, é como se estivéssemos renegando nossas habilidades e sentidos. Achamos que não precisamos manter nossos corpos ativos. O resultado é uma epidemia de sedentarismo com efeitos drásticos na saúde dos indivíduos, que vão desde o enfraquecimento estrutural, doenças crônicas até as síndromes metabólicas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, para vencer essa epidemia que nos adoece precisamos praticar pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física moderada semanalmente. Ou seja, pelo menos 50 minutos três vezes na semana, vale caminhar, andar de bicicleta, trotar, nadar, fazer aulas de ginástica coletiva ou qualquer outra atividade física.
Para alguns pode parecer uma meta inalcançável, para outros com um pouco de esforço pode caber na agenda, tudo vai depender das condições que você tem, do tempo livre, da cidade onde você mora, do esforço que se propõe a fazer para mudar o seu dia a dia. O certo é que sair do sedentarismo é mudar para melhor a sua saúde física e mental.
Se julgar que as recomendações da OMS são demais para você, você pode começar aos poucos, caminhe hoje, suba um andar pela escada do seu prédio, planeje fazer algo amanhã. Não deu pra fazer 3 vezes na semana, faça menos vezes, menos tempo, mas faça.
Comece! Você vai ver que não é nem tão ruim, nem tão difícil como você está pensando. E sabe por que?
Porque a atividade física, o movimento, faz parte da sua natureza, faz parte de quem você é, da sua herança genética. É um ponto de reencontro com você mesmo por inteiro.
Claudia Funari é jornalista, educadora física, mestre em Ciência da Comunicação
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