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Morre Armênio Marques, advogado que marcou a história política e jurídica de Taboão da Serra

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O TABOANENSE

28/09/2026 • 03:45
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Antônio Rodrigues, ao lado do advogado Armênios Marques e do Padre Nicolau Bakker em registro feito no ano passado

 

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Morreu neste domingo, dia 27, aos 87 anos, o advogado Armênio Marques, figura conhecida da advocacia e dos movimentos políticos de esquerda de Taboão da Serra. Com uma trajetória profissional ligada à cidade durante décadas, ele também teve atuação na defesa dos direitos humanos, dos movimentos populares e de suas lideranças.

A família não informou a causa da morte. Nascido em 30 de maio de 1939, Armênio Marques foi uma figura de destaque em Taboão da Serra entre as décadas de 80 e anos 2000. Registros públicos mostram sua atuação profissional em processos relacionados a Taboão da Serra ao longo dos anos.

O velório de Armênio Marques será realizado nesta segunda-feira, dia 28, a partir das 11h, no Cemitério da Paz, localizado na Rua Dr. Luiz Migliano, 644, no Morumbi, em São Paulo. O sepultamento está marcado para as 15h, no mesmo local, conforme comunicado divulgado pela família.

Sua história na região, entretanto, ultrapassou os tribunais. Armênio participou ativamente da vida política durante o período de redemocratização do país e manteve relação próxima com movimentos sociais e organizações de esquerda.

Um dos relatos sobre essa trajetória é do advogado Antônio Rodrigues, genro de Armênio, que o conheceu no início da década de 1980. Segundo Rodrigues, a atuação profissional e política do advogado teve influência direta em sua própria decisão de seguir a carreira jurídica.

“Com absoluta certeza, devo a motivação quixotesca à inspiração causada pela militância profissional e política do Dr. Armênio Marques, a quem conheci no início da década de 1980 como advogado comprometido com a resistência democrática e com a defesa dos direitos humanos, dos movimentos populares e de suas lideranças”, escreveu Antônio Rodrigues.

Um telefone guardado para as madrugadas

Uma das lembranças relatadas por Antônio Rodrigues ajuda a dimensionar a relação de Armênio com os movimentos políticos da época. Entre 1983 e 1986, jovens ligados ao movimento estudantil secundarista e à União da Juventude Socialista saíam durante a noite e a madrugada para fazer inscrições em muros e colar cartazes de campanhas políticas pelas ruas de Taboão da Serra e Embu das Artes.

Segundo Rodrigues, os jovens carregavam escondido nas roupas um pequeno pedaço de papel com o telefone da casa de Armênio. A ideia era acioná-lo caso enfrentassem problemas com a polícia nos últimos anos da ditadura militar.

“Aquele número nos dava a coragem e a segurança necessárias para cumprir as missões noturnas pelas ruas de Taboão da Serra e Embu das Artes. Não tínhamos dúvidas de que, caso surgissem problemas com a polícia, o Dr. Armênio nos socorreria”, recordou.

Naquele período, segundo o relato, Armênio também esteve à frente da Secretaria de Negócios Jurídicos de Embu das Artes durante a administração do então prefeito Nivaldo Orlandi.

Militância política e advocacia

Antônio Rodrigues conheceu Armênio pessoalmente em 1985. Na época, Armênio militava no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), enquanto Rodrigues tinha entre suas tarefas passar semanalmente pelo escritório do advogado, na Rua Levy de Souza e Silva, em Taboão da Serra, para entregar exemplares do jornal Tribuna Operária.

Segundo Rodrigues, Armênio adquiria os exemplares como forma de colaborar com o partido. Anos depois, a relação política transformou-se também em parceria profissional. Já formado em Direito, Antônio Rodrigues recebeu de Armênio o convite para trabalhar como advogado associado em seu escritório.

“Só o menino do Jd. São Salvador, único filho da extensa prole do casal de marceneiro e empregada doméstica que cursou o ensino superior, poderia valorar adequadamente o mérito desse convite”, escreveu Rodrigues ao recordar aquele momento.

Os dois trabalharam juntos entre o início de 1997 e meados de 1998. De acordo com Antônio Rodrigues, nesse período participaram de ações judiciais relacionadas à administração pública de Taboão da Serra.

Entre elas, Rodrigues recorda uma Ação Popular envolvendo vereadores do município e gastos públicos no episódio que ficou conhecido à época como “máfia dos congressos”.

Em 2005, os dois voltariam a trabalhar juntos. Quando Antônio Rodrigues assumiu a Secretaria de Negócios Jurídicos de Taboão da Serra, convidou Armênio para integrar sua equipe como procurador consultor do município.

Uma relação que também se tornou familiar

A amizade construída ao longo de décadas posteriormente ganhou também laços familiares. Em 2004, Antônio Rodrigues e Mariana, filha de Armênio e Amélia, decidiram viver juntos.

No relato em homenagem ao sogro, Rodrigues lembra que foi recebido pela família e recorda com carinho a relação construída ao longo dos anos. Depois de um período separados, Antônio e Mariana se reencontraram em 2020. Em 2024 nasceu Amélia, a neta mais nova de Armênio.

Ao recordar mais de quatro décadas de convivência, Antônio Rodrigues resumiu a relação profissional, política e familiar construída com Armênio Marques.

“Só posso agradecer à vida por ter me dado uma história de amizade e amor tão linda com o Armênio Marques, um bom pai, um amigo generoso e um companheiro de luta imprescindível.”

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