Após muita confusão, vereadores votam subsídios para próxima legislatura
Após 13h35 de sessão, muita discussão, manobras políticas, embates, deboches e discursos inflamados, vereadores de Taboão da Serra decidiram pela manutenção do subsídio para a próxima legislatura 2017/2020, ou seja, os vencimentos permanecerão em R$ 10.021,17.
O vereador Eduardo Nóbrega (PSDB), em coautoria com o presidente da Casa, José Aparecido Alves (DEM), apresentou uma emenda ao projeto que diminuía os salários para R$ 990, e a redução de 13 para nove cadeiras no parlamento também chegou a ser cogitada, as propostas nem chegaram a ir para a votação.

E ainda havia uma terceira opção, a legislação determina que os vencimentos dos vereadores em cidades do porte de Taboão da Serra sejam limitados a 50% dos subsídios pagos aos deputados estaduais, ou seja, mais de R$ 12.600. A partir daí, um grande imbróglio se instalou, a sessão foi interrompida diversas vezes para que os vereadores de oposição e situação pudessem se reunir para debater as alternativas e tentar chegar a um consenso. O clima esquentou e o que se via eram conversas paralelas e muita tensão.
O vereador Luiz Lune (PCdoB), se manifestou a favor da redução. “O gesto do Eduardo Nóbrega é louvável e eu voto sim favorável a emenda… O gesto maior é da oposição, porque quem precisa de dinheiro pra se manter com salário mais digno é a oposição, até porque a situação tem cargos na prefeitura, nós abriremos mão sim… Gostei muito do gesto do líder do governo, uma pessoa tão comprometida com as dificuldades financeiras da cidade… Que a cidade fique melhor, que não fique sem remédios, que fique com mais dinheiro para se investir. Parabéns nobre vereador, você vai sair daqui hoje nos braços do povo”, ironizou.
A vereadora Luzia Aprígio (PEN) também declarou ser a favor da diminuição do subsídio. “Aceito a proposta de ganhar R$ 990 com muito orgulho e o restante poderia ser doado para comprar remédios para as crianças, para a população que precisa”, disparou.
O presidente da Casa, vereador Cido, coautor da emenda, disse confiante, “sou favorável a reduzir os subsídios, cada vereador vai ter que procurar uma nova atividade. Também sou a favor da redução de 13 para nove cadeiras… Eu venderia remédio feliz da vida juntamente com meu mandato de vereador”.
Contra a proposta de redução dos salários para R$ 990, o vereador Eduardo Lopes (PSDB), declarou que não seria “demagogo e nem hipócrita… Não voto na redução do subsídio. Eu não tenho condições nenhuma de legislar com esse valor, mas sou a favor que se reduza para R$ 7 mil”.
Reprovando o clima de “birra” que havia se instalado no parlamento, o vereador Marco Porta (PRB) pediu que seus pares retomassem a “lucidez” e pudessem discutir o assunto como “gente grande”, caso contrário a casa poderia “cair”.
“A Casa dividida não subsiste? Se essa Casa continuar com a mesma birra, coisa de criança, discutindo um assunto [de forma] tão infantil do jeito que nós estamos aqui. Se nós não retomarmos a consciência e não começarmos a discutir como gente grande e séria esse assunto que estamos discutindo lá nos bastidores, nós literalmente teremos a casa caindo. Quero pedir aos pares que todos retomem a lucidez… para que nós não nos digladiemos aqui”, criticou Porta.
Às 23h35, o autor da emenda polêmica, vereador Eduardo Nóbrega, subiu à tribuna para informar que a Casa havia chegado a um consenso, que durante todo o dia os debates e discussões “feitas às claras”, permitiu que ao final, os 13 parlamentares chegassem a um acordo.
“Foi apresentado uma emenda por mim, em coautoria com o presidente em fixar o subsídio em R$ 990… Depois de muitas discussões, divergências, idas e voltas, nós conseguimos alcançar um consenso e os 13 vereadores, com a sensação que o debate foi bem executado e de que os princípios da transparência, da moralidade… resolvemos manter o subsídio fixado na legislatura 2013/2016 para a próxima legislatura”, declarou.
O vereador Moreira também comentou sobre a aprovação do projeto. “Durante a tarde toda vocês puderam presenciar o que é o parlamento. Três vereadores valeram por 10 nesta Casa. Três vereadores conseguiram travar todos os debates… Esticaram pra reduzir o número de vereadores, esticaram para reduzir os salários, e chegamos ao consenso de manter os salários. Isso é o parlamento… quem ganhou foi a cidade toda…”, concluiu.

