Câmara de Taboão tem debate intenso e não vota projetos em pauta
A Câmara Municipal de Taboão da Serra teve uma noite quente nesta terça-feira, dia 31. O debate político dominou a sessão, causou tumulto e muita confusão. Os dois projetos em pauta, um deles sobre educação, ficaram travados e não chegaram a ser votados. O clima esquentou entre o líder do governo, Eduardo Nóbrega e vereadora Luzia Aprígio.
Os projetos em pauta mais uma vez não foram votados por questões políticas. Um novo pedido de afastamento, protocolado pelo PCdoB, partido de oposição ao prefeito Fernando Fernandes, travou a pauta e provocou discussão acalorada entre os parlamentares. O pedido foi rejeitado por 10 votos a três.

Segundo informações, pelo menos três novos pedidos de afastamento devem ser protocolados, o que, na prática, impede a votação das indicações, requerimentos e projetos, uma vez que esse tipo de encaminhamento que está sendo feito pelos partidos de oposição têm prioridade na pauta do dia.
De acordo com o líder do governo, Eduardo Nóbrega, o que está por trás desses pedidos (um já foi rejeitado na semana passada) é uma manobra política da oposição para tentar desestabilizar o governo. “É o jogo político, estão querendo antecipar as eleições, eu acho errado, mas se querem jogar nós vamos jogar. Na política, assim como na física, toda ação gera uma reação”, afirmou.
Em seu discurso, onde pediu que os vereadores rejeitassem o pedido de afastamento, Nóbrega afirmou que o ex-vereador Aprígio, virtual candidato a prefeitura em 2016, contra Fernando Fernandes, seria um dos mentores dos pedidos de afastamento. A afirmação provocou a ira da vereadora Luzia Aprígio, esposa de Aprígio.
Muito nervosa, a vereadora subiu na tribuna e pediu para falar. Colegas tentaram acalmar a parlamentar que não deu ouvidos aos colegas, bateu na mesa, gritou e pediu respeito da plateia. Luzia Aprígio disse que o vereador Eduardo Nóbrega deveria medir suas palavras e que os pedidos de afastamento não partiram do seu marido.
Nos bastidores, a base governista, formada pela ampla maioria dos vereadores, prepara um contra-ataque diante da mobilização da oposição. A entrevista coletiva de Aprígio, criticando a gestão da saúde em Taboão da Serra, foi o estopim para que o clima “azedasse” de vez entre situação e oposição.
No final da sessão, Nóbrega criticou o “clima de guerra” que está sendo provocado, segundo ele, pelos partidos de oposição. “Eu acho que um governo que tem a aprovação do nosso, que já entregou tantas obras e ainda vai entregar o Bom Prato, o Corpo de Bombeiros, quatro novas escolas, três novas UBSs, a Arena Multiuso e outras obras importantes incomoda muito, principalmente quem quer o pior para Taboão. Nós queremos o bem, queremos a paz, mas estamos preparados para a guerra se for necessário”, ameaçou.
Entenda o caso
Um novo pedido de afastamento do prefeito Fernando Fernandes (PSDB), foi apresentado na sessão da Câmara de Taboão da Serra, nesta terça-feira, dia 31. Um pedido similar já havia sido feito na semana passada e foi igualmente rejeitado.
Nesta semana, a denúncia apresentada pelo munícipe Antônio Gomes de Andrade (conhecido como Toninho do PCdoB), pedia o afastamento do prefeito, segundo ele, “quebra de decoro”. A denúncia dizia que Fernandes teria usado recursos públicos na construção de uma avenida em um terreno particular, como colocação de asfalto, guia e sarjeta, além de utilizar de servidores públicos para realizar a manutenção da avenida Governador André Franco Montoro, em frente ao Shopping. A denúncia também dizia que o desmembramento feito era “irregular” aonde foi construído a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
A oposição se manifestou: “É importante apurar se o prefeito cometeu crimes e se cometeu tem que ser cassado”, declarou o vereador Moreira (PT), líder da oposição na Casa.
De acordo com o líder do governo na Câmara, vereador Eduardo Nóbrega (PR), tanto a rua como o terreno foram doados pelo Shopping para a prefeitura e todo custo feito para a abertura da rua foi feita pelo próprio Shopping antes da doação.
“Mas me parece que estamos começando a caminhar para o abuso do direito, aliás, vejo como antecipação político eleitoral. A via foi feita pelo Shopping Taboão, ou seja, com recursos privados. Ambos são instrumentos de doação, a via pública e o terreno aonde foi construído a UPA”, afirmou.
O presidente da comissão de Justiça e Redação, e relator da denúncia, vereador Marcos Paulo (Pros), declarou que “as provas que atestam as denúncias são infundadas”.
