Chuvas de janeiro voltam a ser pesadelo para moradores
Nely Rossany, da Gazeta SP
Na manhã desta quinta-feira dia 23 moradores de Taboão da Serra ainda contabilizavam os prejuízos causados pela enchente provocada pela cheia do córrego Pirajussara, na noite de quarta-feira. Em alguns pontos como no Jardim Leme, a água chegou a cerca de 1,5 m de altura. Os cinco piscinões da região não conseguiram conter a água, parte pelo grande volume de chuva (segundo a Defesa Civil foram 104 mm em 40 minutos), parte pela falta de manutenção constante e limpeza nos piscinões.
O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão do Governo do Estado responsável pela limpeza dos piscinões fez um contrato emergencial em outubro do ano passado para a manutenção que só começou em janeiro, já na época das chuvas. O departamento alega que quem deveria fazer o trabalho são as prefeituras. Já as prefeituras afirmam que não têm condições de realizar a limpeza e que o DAEE é o responsável.
Foto: Thiago Neme | Gazeta SP

Moradores protestam contra enchentes na divisa entre Taboão da Serra e São Paulo
No meio desse jogo de empurra-empurra estão os moradores que perderam casa, móveis, roupas e carros. “Perdi tudo da minha casa, só sobrou a roupa do corpo. Do meu bar também não sobrou nada, perdi som, freezers, caixas de cerveja e a mesa de sinuca. Não sei o que vou fazer agora. Fazia mais de 12 anos que não acontecia uma catástrofe dessa aqui”, disse Edgar da Silva, 57 anos, morador do Jardim Leme há 46 anos.
A Prefeitura de Taboão diz que a chuva foi concentrada nos bairros, e que enquanto na região do Leme choveu 104 milímetros, no Centro choveu 2 milímetros nos mesmos 40 minutos. “O que contribuiu ainda foi a falta de manutenção nos piscinões das cidades de São Paulo e Embu das Artes, fazendo com que a água escoasse para Taboão da Serra, atingindo a região do Pirajuçara, principalmente os bairros Jardim Leme e Jardim Clementino”, informou em nota a prefeitura.
A opinião é unânime e a maioria diz que algo não funcionou nos piscinões. “O que ficamos sabendo é que houve problemas nas bombas e na válvula do piscinão de Embu, mas não posso afirmar com certeza”, disse o secretário de Segurança de Taboão da Serra, Dr. Gerson Pereira Brito.
O DAEE nega que as bombas não estivessem funcionando e assegura que está auxiliando as prefeituras de Taboão da Serra e Embu das Artes desde 6 de janeiro de 2014. “Nesse período as bombas dos piscinões Nova República (Embu), Portuguesinha e Parque Pinheiros (Taboão), tiveram as manutenções necessárias para seu funcionamento”, informou em nota o órgão.
Ontem, ainda sem saber para onde vão, os moradores das ruas Julio Cesar e Maria Sampaio, limpavam suas casas e a muitos moradores queimavam o que sobrou dos móveis no meio da rua em fogueiras revoltados com a situação. Além da revolta, os moradores se sentem inseguros, pois não sabem se novas chuvas podem levar o pouco que sobrou.
Embu
De acordo com a Defesa Civil, Embu das Artes teve 101 milímetros de chuvas em apenas 1h30. Segundo a prefeitura, o último registro de chuva forte foi em dezembro de 2008, quando chegou a 85 mm. Foram 22 pontos de alagamento com transbordamento dos córregos Santos Dumont, Pirajuçara, Castilho, Das Pombas, Tomaz Antônio Gonzaga e Embu Mirim. Famílias que ficaram desabrigadas estão alojados em uma associação de bairro, 76 adultos e as 56 crianças estão no local, segundo a prefeitura.
O prefeito Chico Brito solicitou apoio à Defesa Civil do Estado de São Paulo e da Subprefeitura do Campo Limpo na liberação de materiais de necessidades básicas. Foram abertos postos de arrecadação no Ginásio de Esportes do Jardim Independência, Ginásio de Esportes Dom José, Ginásio de Esportes Hermínio Espósito e no Almoxarifado da Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Qualificação Profissional, na sede da Prefeitura. Os itens de maior necessidade são: colchonete, produtos de limpeza, principalmente água sanitária, além de alimentos não perecíveis;
A Prefeitura de Embu informou que a responsabilidade da limpeza dos piscinões é do DAEE segundo convênio firmado em 2011 e que a limpeza dos córregos e afluentes é realizada pela prefeitura periodicamente.
