Em coletiva vereadores criticam Fernandes, mas falam em abrir diálogo por governabilidade

Vereadores do BIH durante coletiva com a imprensa regional: roupa suja se lava no plenário
Rose Santana
Ainda em meio à polêmica votação do orçamento municipal os vereadores do Bloco Independente e Harmônico deram uma longa entrevista coletiva na última segunda-feira, dia 14. Apesar do clima belicoso entre Câmara Municipal e Executivo, os parlamentares insistiram em dizer que buscam diálogo com o governo.
Grande parte da entrevista foi para justificar as apresentações de emendas ao orçamento que culminou em uma batalha jurídica contra o Executivo. “Criamos a dotação orçamentária para dar o aumento para o funcionalismo através da emenda e colocamos mais R$ 10 milhões que nós destinamos aqui, além dos R$ 30 milhões que ele [Fernando Fernandes] disse que já havia destinado, então são R$ 40 milhões para dar o aumento, tem que dar o aumento para o funcionalismo”, disse Eduardo Nóbrega na coletiva.
Os vereadores do BIH, que deixaram a base de governo nos últimos meses, foram questionados pela imprensa porque só agora apresentaram as emendas, já que a maioria dos parlamentares estava ao lado de Fernandes a duas legislaturas. “Porque em seis anos não fizemos isso? Porque acreditamos nesses seis anos que o prefeito daria o aumento ao funcionalismo público, mas ele não cumpriu com essa promessa de campanha. Nós cansamos, cansamos de promessas”, afirmou Érica Franquini.
O novo presidente da Câmara Municipal e líder do BHI garantiu que o grupo não é oposição como afirmou diversas vezes o prefeito Fernando Fernandes. “O que for bom pra cidade nós vamos votar, vamos sentar s 13 vereadores, vamos dialogar. Quem dizia que o Bolsonaro seria um ditador, mas ele está conversando com o Congresso, com os deputados. Isso é democracia”.
Marcos Paulo insistiu que o grupo aceita uma composição com o governo para manter a governabilidade. “Se o prefeito quiser conversar com a gente, nós estamos abertos, queremos dialogar. O prefeito que está dizendo que nós queremos colocar o governo de joelhos. Isso nunca saiu de nossas bocas, foi ele que disse. Ele diz que quer conversar com a Câmara, mas não de joelhos”.
Os vereadores reiteraram que a falta de diálogo partiu do Executivo. “É política, ele é mandatário lá embaixo e nós aqui na Câmara. Nós estamos abertos a dialogar com o prefeito, mas o prefeito não ligou, nem mesmo para dizer que não era para tirar todo o remanejamento. Ligasse dizendo que queria 5%, 10%… mas porque não ligou? Ou que reunisse os 13 vereadores e falasse que 10% era bom pra cidade”.
Outro ponto questionado foi uma suposta tentativa de pressionar a Câmara Municipal. “Teria que ter a grandeza do diálogo, dizer que ia investir nisso, investir naquilo, mas ele [Fernando Fernandes] preferiu ir no Cemur, pedir ajuda para o MTST, para tentar nos pressionar a votar do jeito que ele quer? Na forçada nunca foi e não vai, isso é pequeno demais”, disse Marcos Paulo.
O presidente da Câmara afirmou que aguarda uma posição para abrir o diálogo com o governo. “Nós estamos em recesso, mas se quiser conversar, estamos aqui. O Bolsonaro voltou atrás em algumas questões, faça o mesmo, venha dialogar com a Câmara, com os 13 vereadores. A gente só vai na casa de alguém se formos convidados. Eu estou convidado ele para vir aqui para conversar. Se ele nos chamar, acredito que tenha consenso, vamos lá dialogar.”.
Remanejamento
Sobre a retirada do poder de remanejamento de 30% do orçamento municipal, Marcos Paulo foi enfático ao dizer que essa medida tomada pelos vereadores do BIH não engessa o governo, como disse Fernandes em uma coletiva de imprensa na sexta-feira, dia 11.
“Eu tenho um orçamento mensal e faço uma programação, funciona como em casa, se todo mês eu entro no cheque especial é que eu não sou um bom administrador. Se ele fez um orçamento adequado, qualificado, acredito que o remanejamento somente em caso de urgência, não precisa entrar todo mês no cheque especial”, lembrou o presidente.
A falta de conversa entre Executivo e Legislativo foi mais uma vez abordada durante a entrevista. “Não é questão de engessar, ele mandou a peça orçamentária pra cá, nós não mexemos nem 10%. Não estamos aqui querendo engessar o governo, porque é prerrogativa do Legislativo fazer as emendas. Falta diálogo. A eleição da mesa foi no dia 4 de dezembro, até hoje ele não ligou. Na trombada, sem diálogo, não adianta”.
“O BIH é um bloco independente e harmônico, que está pronto para dialogar, mas vamos votar aqui na Câmara com independência”, lembrou Nóbrega. Já Carlinhos do Leme amenizou a informação de que o Governo não teria verbas para atender a população em casos de urgência. “Se acontecer um dilúvio, deslizamento de terra, enchentes, pode ter certeza que esse remanejamento será aprovado pelos 13, mas não existe essa má vontade da Câmara”.
Ney Santos
Outra polêmica que envolve o prefeito Fernando Fernandes e o grupo de vereadores do BIH é a ligação entre eles com o prefeito de Embu das Artes, Ney Santos. Fernandes, em todas as oportunidades, vincula Ney com os parlamentares e diz que existe uma ingerência do mandatário embuense na política taboanense.
Marcos Paulo foi duro na sua resposta e ironizou as falas do prefeito. “O grande mentor do Ney Santos se chama Fernando Fernandes, a grande verdade da história é essa, quem lançou o Ney na política foi o Fernando Fernandes e a Analice Fernandes”.
A repercussão da virada de mesa na eleição da presidência da Câmara, atribuída por Fernandes a Ney Santos, também foi rebatida pelo grupo: “Ele [Fernando Fernandes] não diz que tentou me trair [na eleição da mesa], ele quer colocar na conta do Ney Santos. Ele é ingrato, sempre foi amigo do Ney Santos. Ele diz isso para não ficar com a pecha de não ter feito a presidência da casa. Ele não disse que mandou o Cido correr. Isso ele não disse”.
Marcos Paulo detalhou uma passagem na corrida pela presidência da mesa. “Eu fui traído. No dia da Medalha Zumbi dos Palmares o Cido disse para o vereador Moreira, ‘some Moreira, não atende o Paulinho que o prefeito não quer ele’. O Fernando tentou nos dar uma rasteira e perdeu, agora tentar vincular nossa imagem com a do Ney, jogar em cima dele. Quando eu disse que o Ney era o mentor do BIH foi porque quando esses vereadores que estiveram sempre com ele e foram colocados para fora do governo, quem estendeu a mão foi o Ney. Isso ele não fala na entrevista”.
A vereadora Érica Franquini também disse que não houve participação de Ney Santos na escolha de Marcos Paulo para presidente do Legislativo. “Até porque se o prefeito Ney Santos tivesse colaborado com a escolha do presidente Marcos Paulo, ele teria escolhido o André [Egydio] ou o Carlinhos do Leme, nunca o Marcos Paulo. E outra coisa, quem foi primeiro lá no Embu lançar um candidato a prefeito foi o Fernando”.