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Embu anuncia R$ 300 para auxílio aluguel das famílias removidas

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Redação

05/02/2011 00:00
Embu anuncia R$ 300 para auxílio aluguel das famílias removidas

Após os períodos de longa chuva que assolaram a região sudoeste desde o final do ano passado, Embu das Artes iniciou o programa de remoção de residências que se encontram em áreas de risco e interditadas pela Defesa Civil do município. Desde a quarta-feira, dia 2, cerca de 20 casas estão sendo demolidas na divisa de Embu com a capital paulista, onde as chuvas causaram estragos e ocasionou a morte de um aposentado. De acordo com o governo, os trabalhos foram iniciados nesta região devido ao grande risco de desabamento. As residências já foram desocupadas.

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As cerca de 80 pessoas que habitavam no local foram retiradas de suas casas e encaminhadas para um ginásio de esportes, onde permanecem até conseguirem uma casa para alugar. Para facilitar a locação de um imóvel, a prefeitura ampliou o número de bolsas disponíveis no Programa Auxilio Aluguel e está oferecendo o Auxílio Moradia ou a Bolsa Aluguel que destinará até R$ 300 para cada família, como subsídio para o aluguel de novas residências. Até o fechamento desta edição, nenhuma família havia deixado o abrigo improvisado e algumas pessoas alegavam dificuldade para encontrar uma residência com o valor de R$ 300.

Foto: Divulgação

Área onde ocorreu o deslizamento de terra em Embu das Artes

O município também expandiu a área de locação para bairros da região do entorno do Jardim Santo Eduardo, localizados nos municípios vizinhos, além de orientar as famílias a procurarem imobiliárias cadastradas na Pró-Habitação, companhia habitacional do município. O objetivo é transferir os abrigados e alojados para suas respectivas residências o mais rápido possível.

Formado por áreas montanhosas e de pouco recurso de engenharia para construção de alvenarias, o local onde está sendo feita a demolição das casas encontra-se desapropriado para a moradia por ser encravada em um morro. Para o engenheiro Marcelo Vejda, que atua há mais de dez anos no município de Embu nos setores de habitação popular, as encostas onde estão sendo removidas as residências são locais “desprovidos de drenagem adequada e sem arrimo para conter o volume de água. Com o tempo, a própria água da chuva represa entre a estrutura da casa e, com o peso interno que toda casa tem, o barranco cede, levando toda a estrutura abaixo”.

Para Vejda, as construções irregulares em Embu, Taboão da Serra e Itapecerica precisam de uma ação mais eficaz do poder público. Caso contrário, “ao longo dos próximos anos teremos centenas de mortes”. Num estudo feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) nas regiões metropolitanas, há cerca de 10 anos atrás, a região sudoeste já possuía mais de 200 famílias em áreas que apresentavam completo risco de desabamento. De lá para cá pouca coisa foi feita. “Eu participei desse trabalho como engenheiro e vi que a situação é grave”, completou Vejda. Para ele, a moradia deve ser tratada como questão social. “Ninguém mora em áreas de risco porque quer”.

Para auxiliar o alojamento e remoção das famílias, a prefeitura colocou a Secretaria de Assistência Social para atender os casos. Um grupo de assistente social está cadastrando os beneficiários para recebimento do aluguel social e fornecer orientação para a desocupação do alojamento. O envio de alimento, roupas e medicamentos também está em acompanhamento.

Publicado na Gazeta SP

 

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