Moradores reclamam da falta de padronização em táxis
Matheus Herbert e Nely Rossany
Os moradores de Taboão da Serra na Grande São Paulo, têm sentido falta de uma padronização nos táxis da cidade. Falta de adesivos, selos, sinalizações e a falta de segurança foram umas das principais reclamações dos passageiros. Atualmente Taboão conta com uma frota de 340 táxis regulamentados em cerca de 30 pontos, espalhados em lugares estratégicos, principalmente em pontos comerciais. Não existe uma lei ou regulamentação que especifique cores, adesivos ou layouts quer os táxis tenham que seguir.
A maior dificuldade dos passageiros é a falta de padronização e sinalização. O medo também muitas vezes faz com que as pessoas não entrem nos veículos de taxistas autônomos, que identificam o serviço apenas com um letreiro. “Hoje eu não sei, se um taxista autônomo está em serviço ou passeando. A segurança também é um quesito muito importante, eu tenho medo de entrar em um táxi autônomo, já vi vários casos de assaltos, onde o assaltante fingia ser um taxista. Ter uma padronização é fundamental, é sinal de organização”, declarou a professora Juliana Maria, de 33 anos.

Mas não é todo mundo que tem essa preocupação. Silvio Luiz, de 47 anos, morador do bairro Maria Rosa diz que para ele basta ter o letreiro. “Não vejo dificuldade no serviço. Táxi é o que não falta na cidade, só o letreiro já identifica e eu consigo ver”, afirmou.
Muitos taxistas optam por trabalhar de forma autônoma para escapar de pagar as taxas para empresas e associações de Táxis, que chegam a até 30% do faturamento bruto, o que pode custar em média cerca de R$ 300 por mês, segundo informações do Sindicato dos Taxistas de São Paulo. Plínio Oliveira. de 40 anos, e que já trabalha como taxista autônomo há 12 anos, garante que não vê necessidade de padronizar seu veículo.
"Eu já tenho meus clientes, não vejo necessidade de padronizar meu veículo, muitas vezes uso ele como carro de passeio, e fora que pagar taxas para empresas acaba com o nosso lucro”, afirmou para a reportagem.
Já os profissionais filiados às companhias de táxis se defendem.
“Trabalhar em uma companhia é mais organizado e mais seguro também, mesmo tendo o desconto no pagamento. Táxis padronizados atende muito mais, e fora que os autônomos não tem segurança no atendimento. Antes de receber o passageiro, a central passa toda a ficha da pessoa e não saímos atendendo qualquer um”, declarou Renato Teixeira, de 29 anos, que faz parte do quadro de funcionários da companhia Comum Rádio, que se uniu recentemente a Alpha Táxi.
O taxista Carlos Antônio, de 42 anos e que trabalha para a Associação Táxi Rápido, afirma que se os veículos fossem todos padronizados, o serviço seria muito melhor. “Padronização seria muito importante, cidades como Campinas, Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos entre outras, tem toda sua frota de táxi padronizada. Essa organização facilitaria para o passageiro e para as empresas, seria muito mais coerente. Aqui em Taboão em vejo táxis de cor preta, branca, cinza e até vermelho”, afirmou o motorista.
Hoje para um taxistas ser regulamentado e estar dentro da Lei em Taboão da Serra é necessário ter o direito a concessão de taxista, fornecido pela prefeitura de acordo com a necessidade do município e realizar vistorias nos órgãos de trânsito na cidade, que avaliam itens como segurança, manutenção do veículo, entre outros.
“Antes de pensar em uma padronização estética, estamos dando prioridade a fiscalização desses veículos, porque tínhamos casos em que alguns veículos tinham passado por vistoria, mas não tinham o licenciamento, por não ter concluído o processo. Além disso, aprimoramos os métodos de avaliação para não ocorrer fraudes na vistoria como troca de taxímetro e até pneus”, explica o secretário adjunto de Mobilidade Urbana, Júlio Cesar Cataldo.
Ainda segundo Julio, pela Lei Federal os veículos tem que seguir alguns padrões como taxímetro, placa vermelha e letreiro com identificação de táxi, entre outros itens. “Assim que concluímos essa etapa da fiscalização e regulamentação dos táxis, vamos estudar um projeto de padronização”, conclui.
