Obras de reforma estão paradas no CDHU do Jacarandá
“Um funcionário da empresa disse que a estrutura não é segura por isso o prédio pode cair e que, a empresa não quer se responsabilizar, por isso eles não vão mais fazer o serviço”, disse o morador.
Foto: Eduardo Toledo

Prédios da CDHU passam por reforma na sua estrutura
Até o momento somente a parte estrutural foi concluída, e a entrega da obra estava prevista para fevereiro de 2011, não será mais. Em nota a CDHU informou que a nova previsão é julho de 2011, ou seja, um ano após a interdição dos apartamentos.
“O reforço nas fundações do prédio já foi concluído. A próxima etapa, que consiste na restauração das moradias, do sistema de drenagem e da rede de esgoto, está em processo de contratação. O prazo previsto de conclusão das obras é julho de 2011. Os técnicos estão monitorando a junta de dilatação que até agora não apresentou movimentação”, informou.
Os moradores também questionam o valor do auxílio aluguel. “O valor mínimo de um aluguel no padrão que estávamos vivendo (dois dormitórios, sala, cozinha e banheiro) no mínimo custa R$ 600,00. Nunca imaginei que um dia eu estaria onde estou, morando em uma favela. Quando eu comprei o meu apartamento da CDHU, tinha a esperança de transformá-lo em um lugar de qualidade para minha família. Após 10 anos, o prédio se divide ao meio, e me jogam em qualquer lugar”, disse Cleonice dos Santos.
“O valor do auxílio de R$ 400,00 é igual ao concedido pelos projetos de urbanização na cidade de São Paulo e superior aos R$ 300,00 oferecidos pelo governo estadual aos municípios em situação de emergência. Além do auxílio, a CDHU também está pagando as taxas condominiais das moradias e suspendeu temporariamente a cobrança das prestações até que as famílias possam retornar aos imóveis”, esclareceu a CDHU .
A empresa ainda informou que somente os mutuários inadimplentes estão sendo notificados sobre prestações atrasadas. Vale ressaltar que os débitos são referentes a prestações anteriores à desocupação do prédio”.
“Pouco me importa o valor pago na cidade de São Paulo, eu tinha uma casa, agora, por incompetência não sei de quem, moro em um lugar horrível, muito inferior ao que eu tinha. Meus filhos tinham um quarto, hoje estamos amontoados. E o pior é que eles (CDHU) acreditam que estão prestando um grande favor para nós”, desabafa um morador que preferiu não se identificar.
A empresa falou sobre o atendimento realizado pela área social da Companhia, disse “que tem como objetivo orientar e esclarecer com respeito os mutuários”.
A opinião dos moradores é bem diferente, eles dizem que o atendimento social não auxilia em nada, pelo contrário “é humilhante ter que falar com a assistente social”.
“Falei para a assistente social Romilda sobre as condições que estamos vivendo, eu e minha família. Disse que continuo morando em um lugar de risco, moro em uma favela, ao lado de uma boca de fumo, isso não é área de risco? Eu disse a ela que não tinha nenhuma privacidade onde estou, que com o valor de R$ 400,00 não dá pra escolher muito. Sabe o que ela me respondeu? Vou usar as palavras dela: ‘A vantagem é que vocês não vão fazer mais filho’. Nunca fui tão humilhada. Estamos sendo tratados como cachorros sem donos. É triste, após 10 anos ter um sonho frustrado”, desabafou indignada Cleonice.
