Prefeito de Itapecerica avalia primeiros 30 dias de governo
Matheus Herbert e Nely Rossany
Erlon Chaves (PDT) foi candidato a prefeito de Itapecerica da Serra em 2012 e apesar da segunda colocação e a votação expressiva (28.252) não esperava assumir o governo em 29 de abril de 2014. À frente da prefeitura há 30 dias, por causa de um processo que cassou o ex-prefeito Amarildo Gonçalves, o Chuvisco (PMDB) e sua vice, Regina Corsini (PMDB), Chaves que sempre foi oposição, vive a experiência de estar do outro lado pela primeira vez. Entre os principais desafios de sua gestão estão conquistar a confiança da população e mostrar trabalho em pouco mais de dois anos. Em entrevista exclusiva à Gazeta de São Paulo, Erlon Chaves fez um balanço dos seus 30 dias de governo e aponta a Saúde como seu foco principal.

Gazeta SP- Qual é a sua avaliação, nesses 30 dias de governo da cidade?
Erlon Chaves- A população está sentindo a diferença, você tem os adversários do outro lado que estão insatisfeitos, porque perderam o emprego e a mamata. Mas a população de forma geral, está sentindo a diferença principalmente no sentido do diálogo. Eu sou uma pessoa que está aberta a diálogos sempre, vou pra rua e quero entender. O outro governo não era bem assim, pelo menos segundo os munícipes.
GSP- Quais são os principais projetos do seu governo?
EC- Temos um projeto em andamento na Câmara, para aprovação do ensino Sesi para implantar esse ensino aqui em Itapecerica. A proposta é trazer uma capacitação melhor, é um sistema reconhecido, uma experiência que precisa ser aplicada. A educação é a longo prazo, vamos unificar a educação aqui na cidade, que é carente.
GSP- O que o senhor pensa em mudar na educação municipal?
EC- Não adianta jogar o livro do Objetivo (método usado na cidade) para o aluno, sendo que o professor não está preparado, os pais não estão preparados, a rede de ensino da cidade não está preparada. Vamos modificar muitas coisas. O curso e o livro são bons, mas não tem metodologia. O Sesi tem experiência em outras cidades, vamos dar um salto grande. Nossos alunos estão saindo semi analfabetos do ensino fundamental 2 e quando chegam no ensino médio não acompanham.
GSP- Atualmente, como está o seu relacionamento com a Câmara?
EC- O relacionamento com a Câmara é profissional e espero que os vereadores pensem na cidade e não no relacionamento comigo. O relacionamento com a Câmara está complicado devido à maioria dos vereadores serem da situação da gestão anterior e ficaram na oposição do meu governo.
GSP- Qual é a principal carência da cidade?
EC- A Saúde sem sombras de dúvidas. Veja por exemplo o Pronto Socorro Central da cidade, nós tivemos 298 atendimentos no último mês (abril) e agora fechamos com 415 atendimentos. Pra isso acontecer, fizemos mudanças básicas como troca do diretor, motorista e a humanização do atendimento. O simples fato de o funcionário dar um ‘bom dia’ e ‘aguarde que você já será atendida’, mostra a preocupação com o paciente, tudo isso não tinha na gestão anterior. Minha política é de humanização. Também vamos contratar mais médicos, o concurso já está em andamento. A população está me dando uma chance, uma nova oportunidade. Não vou resolver todos os problemas, mas vou trabalhar. Mas dentro do que nós podemos fazer, vamos fazer.
GSP- Até o final deste ano, o que os munícipes verão em resultado?
EC- Saúde com certeza, estou trabalhando muito forte para modificar alguns vícios da gestão anterior, é o nosso foco. E a cara da cidade que está mudando, agora é uma cidade mais receptiva. Em seguida a Educação, realizamos o primeiro Fórum na cidade, nunca tinha acontecido isso. Não vamos tapar o sol com a peneira. Muitas coisas estão acontecendo, ou pelo menos estão apontadas para acontecer.
GSP- E a contratação dos técnicos para ocupar as Secretarias?
EC- Esbarramos em uma situação de finanças, em relação aos técnicos, não conseguimos pagar. Um técnico, um conhecedor da área, seja em qual área for como Saúde ou Educação, não aceita um salário pequeno. Chegamos a pesquisar e ir atrás, mas muitos não compactuaram com a gente, devidos ao salário. A Receita da cidade está caindo: 2014 é de 355 milhões e 2015será de 320 milhões. Toda empresa que trabalha dessa forma, retardando os gastos, ela acaba falindo, então estamos caminhando e tentando conciliar tudo. Precisamos aumentar a arrecadação do município. Não consigo trazer um médico de ponta para Itapecerica, para ganhar menos de 10 mil reais.
GSP- E os funcionários da gestão anterior, como está a situação deles?
EC- Os desligamentos acontecem naturalmente, deve ser porque estão ligados ao antigo prefeito. Não estou demitindo ninguém. Hoje eu sei que nossos adversários e o antigo prefeito estão assustados porque estamos caminhando com as coisas e mostrando melhoras. Fui muito criticado na questão de trazer pessoas de fora, mas são profissionais, entendem o meu governo e o mais importante não estão viciados em uma gestão política, são pessoas novas.
GSP- Qual é a sua mensagem para os moradores da cidade?
EC- Peço paciência e tempo, vamos fazer um bom trabalho. Quanto mais problemas tivermos, melhor será …. vamos resolver todos.
GSP- Como o senhor vai lidar com a imprensa local?
EC- Meu relacionamento será sem médias, não sou de fazer médias, temos que ser profissionais. Todas as matérias feitas na cidade são válidas desde que olhe os dois lados, e pra mim vocês são como um assessor a mais, me ajudarão, até mesmo nas matérias de denuncia. Porque não será o jornal cobrando e sim a população, temos que atender.
