Prefeitura de Taboão cria ações para diminuir a Taxa de Mortalidade Infantil
A prefeitura de Taboão da Serra iniciou em novembro o programa ‘Amor de Mãe’, uma das ações do governo municipal para tirar o município da incômoda posição de 28ª maior Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) entre os 39 municípios da Grande São Paulo.
Um levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) indica que em 2012 nasceram 4.538 crianças na cidade e 60 não completaram um ano de vida. O relatório do Seade foi divulgado em dezembro de 2013, que mostra que a TMI média no Estado de São Paulo é de 11,5. Os melhores índices estão no interior de São Paulo.
Foto: Eduardo Toledo

A secretária de saúde de Taboão da Serra, Dra. Raquel Zaicaner
De acordo com a secretária de Saúde Raquel Zaicaner, a primeira ação do prefeito Fernando Fernandes, foi colocar nas Unidades Básicas de Saúde, médicos especialistas para acompanhar as gestantes. “O primeiro passo foi colocar um obstetra nas unidades, quando nós chegamos não tinha. Esse foi o primeiro desafio, trazer gineco-obstetra para o município”, declarou.
A taxa de mortalidade infantil em Taboão é atualmente de 13,2, ou seja, a cada mil nascimentos, 13 crianças morrem antes de completar um ano de vida. Por isso a segunda ação da prefeitura foi implantar o programa municipal ’Amor de Mãe’ como explica a secretária.
“Nosso objetivo é deixar [esse índice] com um dígito. Para isso implantamos o ‘Amor de Mãe’, um programa do governo municipal de acompanhamento do pré-natal ao primeiro ano de vida da criança, que já está em curso”, esclareceu.
De acordo com a Dra. Raquel, o programa é uma garantia de um pré-natal de qualidade e também a certeza de acompanhamento da fase mais crítica da criança, que é o primeiro ano de vida. “A gente quer garantir que a mulher faça um pré-natal de qualidade, porque com isso diminuímos a chance da mortalidade materno-infantil e a gente quer acompanhar essa criança até um ano de vida, para ter certeza que ela passou desse momento mais crítico. Quando ela fizer um ano, vamos fazer uma festinha coletiva”, ressaltou.
Ainda de acordo com a secretária, após o primeiro ano a chance de morte diminui. “Passou de um ano, a chance de morrer é muito menor”, completou.
A região
Em Embu das Artes, a segunda maior cidade da região, os dados são semelhantes aos de Taboão da Serra. Em 2012 nasceram 4.564 crianças e foram registrados 59 óbitos, portanto a cada mil nascimentos, 13 crianças não sobrevivem até completar o primeiro ano de vida. No ranking da Grande São Paulo, Embu das Artes aparece com a 27ª maior taxa.
Na pesquisa divulgada pelo Seade, Itapecerica da Serra é a 34ª, entre os 39 municípios da GSP, onde a Taxa de Mortalidade Infantil é mais elevada. Em 2012, nasceram 2.892 crianças e 45 não completaram um ano de vida, uma TMI de 15,6.
A situação de Juquitiba é pior ainda. A cidade aparece na incomoda 37ª posição, com uma Taxa de Mortalidade Infantil de 17,7. O número de nascimentos registrados em 2012 foi de 451 crianças, com oito óbitos.
Líder
Apesar das maiores cidades da região apresentarem um desempenho crítico em relação a outros municípios da Grande São Paulo, a pequena São Lourenço da Serra aparece como em primeiro lugar no ranking de melhor desempenho entre as 39 cidades. No ano passado nasceram 197 crianças e apenas uma morreu, uma TMI de 5,1, um dos menores índices de todo o Brasil.
Embu-Guaçu também apresentou bons índices e ocupa a sexta posição na Grande São Paulo. No ano passado nasceram 1.013 crianças e nove não completaram um ano de vida, uma Taxa de Mortalidade Infantil de 8,9, abaixo da média estadual.
Pesquisa
A taxa de mortalidade infantil – número de óbitos de crianças de até um ano de idade por mil nascidas vivas (TMI) – é um dos indicadores mais utilizados para aferir as condições de saúde da população, em especial das crianças menores de um ano. Em São Paulo, para o cálculo desse indicador, é realizada uma pesquisa pela Fundação Seade junto aos Cartórios de Registro Civil de todo o Estado, em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, que repassa as informações produzidas pelas Secretarias Municipais de Saúde.
Segundo o estudo SP Demográfico, do Seade, as causas perinatais e as malformações congênitas representam 80% da mortalidade de menores de um ano, destacando-se que 50% dos óbitos infantis ocorrem na primeira semana de vida. Doenças do aparelho respiratório e doenças infecciosas e parasitárias têm hoje peso relativamente pequeno como causas de morte de menores de um ano.
O padrão da mortalidade infantil segundo suas causas, descrito anteriormente, leva à acentuada concentração dessas mortes nas primeiras idades, uma vez que é nesse período inicial da vida que se manifestam, prioritariamente, as causas perinatais. De fato, em 2012, observou-se que 69,09% dos óbitos infantis concentraram-se nos primeiros 28 dias de vida (período neonatal) e, destes, praticamente 50% ocorreram na primeira semana (período neonatal precoce).
