Taboão 66 anos: história e reflexões taboanenses – Parte II

Taboão da Serra na década de 70 era uma cidade que crescia sem planejamento e passou a receber muitos migrantes de outros estados do Brasil
O tamanho da encrenca: 4 mil almas em 1959, 40 mil em 1970, 300 mil em 2025
Da coluna “Nas Beiradas da Metrópolis”, por Dr. Antônio Rodrigues Nascimento
Dez anos após a emancipação de Taboão da Serra, em 19 de fevereiro de 1959, a antiga Vila Poá vai encontrar-se totalmente desfigurada pelo processo de industrialização tardia do chamado “milagre brasileiro”.
Entre fins da década de 1960 e durante todos os anos 1970, a região metropolitana de São Paulo atraiu centenas de milhares de migrantes à procura de emprego.A proximidade da Capital e os terrenos relativamente baratos, tornou o novo município de Taboão uma excelente alternativa de moradia para migrantes de baixa renda.
Assim, a partir do final da década de 1960, a Prefeitura de Taboão vai ter de enfrentar crescentes problemas urbanos. Neste cenário desafiador vão surgir as primeiras lideranças e grupos políticos locais e, também, as primeiras formas de organização popular para enfrentar as dificuldades apresentadas por um lugar desprovido de infraestrutura urbana e de serviços públicos básicos e essenciais.
Olhando retrospectivamente, fica evidente que em 1959 o grupo de emancipadores da Cidade de Taboão da Serra jamais poderia ter vislumbrado o “tamanho da encrenca” que aguardava o município nas duas décadas imediatamente seguintes.
Quem viveu na cidade entre as décadas de 1960 e 1970 pôde vivenciar as transformações radicais:de um lugar com características e atrativos rurais, onde viviam 4 mil pessoas em 1959, Taboão transforma-se, em poucos mais de dez anos, num núcleo totalmente urbano, contando com mais de 40 mil habitantes em 1970.
A Taboão dos dias atuais continua a enfrentar os desafios da explosão populacional: segundo o IBGE, a cidade tem a maior densidade demográfica do Brasil, com ultrapassando os 300 mil habitantes num território de aproximadamente 20 km².
Taboanenses enfrentam problemas da infraestrutura urbana deficitária: escassez de serviços públicos adequados e suficientes;falta de habitação e de urbanização adequadas nos muitos núcleos de moradia subnormal (favelas); espaços de lazer e de conforto ambiental insuficientes…
A demanda elevada por serviços urbanos gera pressão sobre o sistema de transporte coletivo e sobre as redes municipais de saúde e educação, além de intensificar os problemas relacionados ao meio-ambiente e à segurança pública.
Teremos capacidade de superar tais desafios a tempo de preservar as crianças e adolescentes taboanenses de privações e mazelas que nós, mais antigos, tivemos de passar?
Como um sobrevivente cuja infância e grande parte da adolescência transcorreram exclusivamente no Jardim São Salvador nos anos 1970/1980, escolho acreditar que seremos capazes de prover um futuro melhor aos que aqui vieram depois de nós.
Quem venham seus 66 anos, Taboão!