Taboão da Serra e Cotia unem projetos sociais para criar caminho educacional para jovens da rede pública
Taboão da Serra e Cotia passam a compartilhar uma iniciativa que busca ampliar as oportunidades educacionais para estudantes da rede pública da região. A parceria entre o Instituto José Zimerman (IJZ), sediado em Taboão da Serra, e o Instituto Fliegen, de Cotia, cria uma trajetória de formação contínua para crianças e adolescentes com potencial acadêmico.
O objetivo da união é conectar o trabalho realizado ainda na infância com a preparação de jovens para olimpíadas acadêmicas e áreas ligadas à ciência e tecnologia. Enquanto o Instituto José Zimerman atua com crianças do Ensino Fundamental I, o Instituto Fliegen recebe estudantes a partir do 6º ano até o Ensino Médio.
A proposta é permitir que alunos atendidos pelo IJZ possam futuramente ingressar no Fliegen, aprofundando habilidades desenvolvidas ao longo dos primeiros anos escolares. A parceria já começou a apresentar resultados práticos. Um estudante que iniciou sua trajetória no Instituto José Zimerman foi aprovado recentemente no processo seletivo do Instituto Fliegen, tornando-se um dos primeiros exemplos dessa continuidade educacional entre os projetos.
Em Taboão da Serra, o Instituto José Zimerman oferece atendimento gratuito para crianças de 7 a 12 anos da rede pública, com oficinas de matemática, programação, xadrez, convivência e atividades corporais. O foco está no fortalecimento do raciocínio lógico, da autoestima, da concentração e da capacidade de resolução de problemas.
Segundo Luciane Ferreira, gerente-geral do Instituto José Zimerman, o trabalho busca mudar a relação das crianças com o aprendizado. “Elas passam a se relacionar com a matemática de forma prazerosa e desenvolvem mais segurança para pensar, tentar, errar e refazer”, afirma.
Os resultados também aparecem nos indicadores educacionais. Em 2025, 65% dos alunos atendidos ficaram acima da média na avaliação municipal SAREF. O instituto também conquistou 10 medalhas na OBMEP Mirim e mais de 50 medalhas em competições de xadrez.
Outro desafio enfrentado pelo projeto é o impacto do excesso de estímulos digitais no processo de aprendizagem. De acordo com Luciane Ferreira, atividades presenciais e desafios intelectuais ajudam a desenvolver foco, persistência e profundidade de pensamento em crianças cada vez mais expostas a distrações rápidas.
Já em Cotia, o Instituto Fliegen atua no contraturno escolar com preparação voltada a olimpíadas acadêmicas nacionais e experiências ligadas à matemática, física, robótica e astronomia. Desde o início das atividades, em 2024, os alunos do projeto já conquistaram mais de 50 medalhas em competições educacionais.
Para Gabriela Rudnik, presidente do Instituto Fliegen, muitos jovens talentosos da rede pública não conseguem desenvolver plenamente suas habilidades por falta de acesso a oportunidades. “Acreditamos que talento não depende de condição financeira, mas de oportunidade. Existe muito potencial nas escolas públicas que só precisa de acesso e incentivo”, destaca.
A expectativa das instituições é fortalecer uma rede de apoio educacional capaz de ampliar horizontes e criar novas perspectivas para estudantes da Grande São Paulo. A parceria aposta na educação como ferramenta de transformação social e mobilidade para jovens que, muitas vezes, encontram barreiras para acessar iniciativas de desenvolvimento acadêmico especializado.
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