Taboão da Serra: Justiça manda acusados por ataque a ex-prefeito Aprígio a júri popular; mandantes seguem sem identificação
A Justiça de São Paulo determinou que os acusados de participar dos disparos que feriram o então prefeito de Taboão da Serra, José Aprígio da Silva (Podemos), durante a campanha eleitoral de 2024, sejam julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão, assinada em 24 de junho e divulgada neste mês, conclui que há elementos suficientes para que os jurados decidam se o caso configura tentativa de homicídio qualificado ou uma suposta simulação de atentado que, ainda assim, colocou vidas em risco.
Foram pronunciados Gilmar de Jesus Santos, Odair Junior de Santana, Clóvis Reis de Oliveira e Anderson da Silva Moura. Eles responderão por tentativa de homicídio qualificado. A magistrada entendeu que o uso de um fuzil AK-47 contra um veículo ocupado por quatro pessoas, em via pública, demonstra a possibilidade de configuração do dolo eventual, quando os envolvidos assumem o risco de provocar mortes. Caberá ao Tribunal do Júri analisar as provas e definir se houve intenção de matar ou se a ação fazia parte de uma encenação que saiu do controle.
A decisão também registra a versão apresentada pelo colaborador Gilmar de Jesus Santos, que afirmou à investigação que o plano inicial seria apenas simular um atentado para gerar repercussão política e favorecer a candidatura de Aprígio, que disputava a reeleição. Segundo o depoimento, os participantes acreditavam que não haveria risco porque o carro era blindado e os disparos seriam direcionados a pontos específicos do veículo.
O delegado responsável pelo caso também afirmou, durante a investigação, que não identificou intenção direta de execução, embora tenha reconhecido que todos os ocupantes foram expostos a risco concreto de morte.
Apesar da conclusão do primeiro inquérito da Polícia Civil, que apontou a hipótese de um atentado forjado articulado por integrantes do grupo político do então prefeito, a Justiça destacou que a autoria intelectual do crime ainda não foi esclarecida. Um segundo inquérito foi concluído sem identificar os supostos mandantes, e a apuração continua em procedimento separado. O Ministério Público mantém diligências para tentar identificar quem teria ordenado a ação.
O ataque ocorreu em outubro de 2024, na Avenida Aprígio Bezerra da Silva, quando seis tiros de um fuzil AK-47 atingiram o veículo blindado em que estavam o então prefeito, o motorista, um secretário municipal e um videomaker. Um dos disparos perfurou a blindagem e atingiu Aprígio no ombro esquerdo. O ex-prefeito nega qualquer participação em uma eventual encenação e afirma ter sido vítima do atentado. Sua defesa destaca que ele não foi indiciado e sustenta que não existem provas que o relacionem a qualquer suposta fraude.
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