A missão de contar a história local:  da linotipo d’O Pirajuçara aos algoritmos d’O Taboanense

A missão de contar a história local:  da linotipo d’O Pirajuçara aos algoritmos d’O Taboanense

22 de abril de 2026

Nas beiradas da Metrópolis

Nas beiradas da Metrópolis

Por Antonio Rodrigues

A nova versão do Portal O Taboanense consegue a proeza de elevar o patamar de um veículo de comunicação que é um marco pioneiro do jornalismo digital local e regional.

Apesar de saber da complexidade técnica e do investimento realizado para a renovação do Portal, não vou me deter em saudar, merecidamente, a repaginação do layout e a necessária atualização tecnológica nestes algorítmicos tempos da Inteligência Artificial.

Assim como o Portal, não me envergonho de ser taboanense, ao contrário, busco cultivar as raízes que me nutriram e me mantém em pé, portanto, quero mesmo é festejar a consolidação e aperfeiçoamento de um projeto de comunicação inovador e vencedor autenticamente local.

Os grandes veículos midiáticos frequentemente ignoram as particularidades e as relações humanas do cotidiano dos territórios locais. Os acontecimentos das quebradas metropolitanas ganham visibilidade somente quando rendem manchetes e reportagens sensacionalistas. Sem violência, miséria, desespero ou bizarrice, raramente os territórios periféricos e as pessoas que neles vivem são notícia nos “jornalões” ou revistas de grande circulação.

Para alegria e festa da nossa Cidade, O Taboanense nasceu com vocação de guardar a memória coletiva local e, ao longo da sua trajetória de mais de duas décadas vem cumprindo esta missão com eficiência. Por desinteressantes que pareçam à grande mídia, tem retratado os acontecimentos locais; revelado os bastidores da política municipal e regional; noticiado as lutas e reivindicações dos moradores dos bairros e dado visibilidade às expressões culturais singulares de Taboão e Região.

A trajetória d’O Taboanense é indissociável da visão de seu fundador. O jornalista Eduardo Toledo compreendeu muito cedo o potencial da Internet e concebeu o primeiro portal de notícias online da Cidade. A materialização do projeto contou desde o início com o trabalho do Sérgio Cardoso, responsável pelo desenvolvimento, manutenção e otimização da plataforma digital. Edu e Serginho são corresponsáveis por inaugurar o “jornalismo 2.0” em Taboão e Região.

Para mim, torna-se incontornável apontar as semelhanças que vejo na iniciativa jornalística de Eduardo Toledo com o trabalho pioneiro do saudoso Waldemar Gonçalves (1922-2007). Com as linhas da linotipo fundidas em chumbo, Waldemar criou o primeiro jornal genuinamente taboanense, “O Pirajuçara”, em 1978. Eduardo, por seu turno, apropriando ao jornalismo local os recursos da programação digital e da Internet, criou em 2002 o Portal O Taboanense, tornando-se o pioneiro da imprensa digital taboanense no Séc. XXI.

Waldemar e Eduardo, cada um em sua época e com os recursos tecnológicos disponíveis, vislumbraram o futuro, investiram em fazer jornalismo em Taboão da Serra e, assim, contribuíram não só para criar uma imprensa local, mas também para a construção da identidade do povo taboanense.

Confesso que me sinto feliz por estar dentre tantas vozes chamadas a colaborar com este projeto extraordinário desde o princípio. Por generosidade (ou desafio) do Edu, há mais de 20 anos tenho dado entrevistas e publicado textos na qualidade de advogado, gestor público, professor de direito, escritor e cidadão taboanense consciente da luta da nossa comunidade periférica por dignidade e representação.

Que a nova versão d’O Taboanense prossiga como espaço cada vez mais fértil, plural e democrático para o debate e a construção de uma comunidade informada e participativa.

Parabéns e obrigado!

Antonio Rodrigues do Nascimento

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